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14 de julho de 2026

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Livro revela como a castanha se tornou uma importante atividade econômica da Amazônia

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O livro “A Castanha do Pará na Amazônia” revela como a castanha se tornou uma atividade econômica crucial na região. Conhecida por diversos nomes, como castanha-do-Brasil e noz amazônica, a semente é usada na culinária e na indústria de cosméticos, além de possuir propriedades que podem retardar o envelhecimento e prevenir certos tipos de câncer.

Ourico da castanheira apos a queda no solo. Foto-Jose Jonas Almeida-Arquivo pessoal_castanha-do-para
 Ouriço da castanheira após a queda no solo. Foto: José Jonas Almeida/Arquivo pessoal

O livro é uma extensão da tese de doutorado ‘Do extrativismo à domesticação: as possibilidades da castanha-do-pará’, defendida na USP. O historiador José Jonas Almeida destaca a importância da castanha-do-pará para a economia amazônica e para a subsistência das populações tradicionais da região.

Exemplar de castanheira no munícipio de Marabá, sudeste do estado do Pará. Foto: Reprodução/Casa de Cultura de Marabá
Exemplar de castanheira no munícipio de Marabá, sudeste do estado do Pará. Foto: Reprodução/Casa de Cultura de Marabá

Almeida estudou a economia da cidade de Marabá durante a ditadura militar brasileira e descobriu que a cidade foi a maior produtora de castanhas do mundo. A partir de suas pesquisas, o historiador evidencia que a atividade da castanha-do-pará foi vital para a economia de municípios como Marabá na primeira metade do século 20.

torta de castanhas
Foto: Divulgação/Acervo pesquisador

Além disso, Almeida desvendou como ocorreu o processo de domesticação da planta, algo essencial para a produção em larga escala da castanha. Apesar das tentativas de cultivo da castanha-do-pará em outros locais, como Sri Lanka, Malásia e Austrália, o sucesso comercial foi limitado devido à necessidade de um ecossistema específico e da presença de insetos polinizadores específicos da Amazônia.

Castanhas sem casca (parte superior) e com casca. Foto: Reprodução/Folheto publicado pela Acre State Business Agency
Castanhas sem casca (parte superior) e com casca. Foto: Reprodução/Folheto publicado pela Acre State Business Agency

O mercado interno para a castanha-do-pará no Brasil sempre foi pequeno. Mesmo que a semente seja conhecida internacionalmente, o consumo no país é limitado principalmente devido ao preço alto.

Anúncio de 1909 de casa exportadora de gêneros da Amazônia, entre eles a castanha-do-pará. Foto: ebay/Ad Pires Teixeira Ca
Anúncio de 1909 de casa exportadora de gêneros da Amazônia, entre eles a castanha-do-pará. Foto: ebay/Ad Pires Teixeira Ca

Almeida também analisou as mudanças no mercado de exportação da castanha, que colocaram o Brasil em segundo lugar como maior produtor, atrás da Bolívia. A falta de atualização nas técnicas de extração e cultivo, bem como questões de contaminação por aflatoxina, contribuíram para essa mudança.

Anúncio do jornal inglês Hampshire Chronicle, 1796. Foto: British Newspaper Arquive via tese do autor
Anúncio do jornal inglês Hampshire Chronicle, 1796. Foto: British Newspaper Arquive via tese do autor

O desmatamento em áreas da Amazônia brasileira também teve um impacto significativo na produção de castanha. Marabá, que foi um grande centro produtor até a década de 1980, agora se sustenta com agropecuária e o setor terciário.

Receitas utilizando a castanha-do-pará, impressas pela Brazil Nut Association.
Receitas utilizando a castanha-do-pará, impressas pela Brazil Nut Association.

Almeida sugere que a combinação de extrativismo e cultivo poderia ser a chave para o Brasil retomar a posição de maior exportador de castanha-do-pará. O plantio consorciado com outras plantas, como a pupunha, pode ser uma alternativa promissora.

Anúncios da Brazil Nuts Association de castanha-do-pará.
Anúncios da Brazil Nuts Association de castanha-do-pará.

 

Castanha da fazenda Aruanã comercializada no mercado interno. Foto: José Jonas Almeida/Arquivo pessoal
Castanha da fazenda Aruanã comercializada no mercado interno. Foto: José Jonas Almeida/Arquivo pessoal

 

A tese, apresentada no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, foi orientada pelo professor Benedicto Heloiz Nascimento
A tese, apresentada no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, foi orientada pelo professor Benedicto Heloiz Nascimento

 

Fonte: Jornal da USP, assinado por Denis Pacheco. Acesse o material original aqui.

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