A transição para a venda de ovos provenientes de galinhas criadas fora de gaiolas — o sistema conhecido como “cage-free” — não está avançando como o esperado no Brasil. De acordo com o relatório anual Observatório do Ovo, realizado pela ONG Alianima, a maioria das redes de supermercados não apresentou progressos significativos na substituição dos ovos convencionais.
Desde 2015, mais de 160 empresas brasileiras dos setores de alimentação e hotelaria firmaram compromissos públicos para adotar sistemas de criação mais humanitários. As metas estabelecidas por essas companhias variam entre os anos de 2021 e 2030. No entanto, a realidade do mercado mostra um cenário de estagnação ou retrocesso.
Os dados do levantamento indicam que 64% das redes analisadas não aumentaram a oferta de marcas de ovos livres de gaiolas ou, em alguns casos, reduziram a participação desses produtos em suas prateleiras. Além disso, há uma falha na transparência corporativa: 24% das empresas que assumiram a meta não prestam contas sobre a evolução de seus indicadores.
O relatório cita exemplos específicos de grandes redes. O Carrefour, que possui compromisso público com a transição, registrou uma queda na participação de ovos livres em suas lojas, passando de 21,4% para 20,2% no último ano. A rede foi a única entre as comprometidas a não oferecer ao menos uma marca de ovos “cage-free” em todas as suas unidades. A rede Pague Menos também foi apontada por não apresentar evolução no processo.
A análise dos obstáculos econômicos e logísticos revela disparidades regionais acentuadas. As regiões Norte e Nordeste foram classificadas como as áreas de maior dificuldade para o abastecimento de ovos livres, evidenciando gargalos na cadeia de suprimentos e na distribuição logística nessas localidades.
Além da questão geográfica, o custo do produto é a principal barreira financeira: 67% das empresas relataram que o preço mais elevado do ovo “cage-free” dificulta a transição. Outros fatores citados incluem a falta de conhecimento do consumidor (44%) e a baixa aceitação do produto pelo cliente final (33%).
Apesar dos desafios, a imagem institucional das empresas parece ser beneficiada. Cerca de 78% das redes afirmaram que a transição gera uma percepção positiva da marca perante o público. No sistema “cage-free”, as aves não ficam confinadas em gaiolas onde até 11 animais dividem o mesmo espaço, podendo circular livremente pelo galpão, seguindo normas de bem-estar animal como as do Instituto Certified Humane Brasil.
Com informações do G1















