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17 de fevereiro de 2026

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Zogue-zogue: espécie de macaco do Mato Grosso enfrenta risco de extinção

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Foto: Miguel Rangel Júnior/ Wikimedia Commons

Um agricultor em Sinop (MT), na Gleba Mercedes, se surpreendeu ao encontrar um macaco no telhado de sua casa. O episódio, ocorrido durante a seca, ilustra a difícil realidade dos zogue-zogues da região: a luta pela sobrevivência em um território cada vez mais restrito.

Cinco indivíduos foram avistados em um pequeno fragmento florestal da fazenda, isolados por áreas desmatadas e o lago formado por uma usina hidrelétrica próxima.

A espécie, cientificamente conhecida como Plecturocebus grovesi, é endêmica do norte do Mato Grosso e figura entre os 25 primatas mais ameaçados do planeta.

Com peso inferior ao de um gato doméstico e uma pelagem característica com tons alaranjados na barba, o zogue-zogue já perdeu mais de 40% de seu habitat original. Estudos indicam que, se a degradação ambiental continuar no ritmo atual, a perda pode atingir 80% nas próximas décadas.

Os macacos zogue-zogue vivem isolados em pequenos fragmentos de floresta no norte do Mato Grosso, enfrentando a rápida perda de habitat. A pressão do desmatamento e o avanço de grandes reservatórios hidrelétricos têm encurralado os grupos de primatas.

Moradores locais e organizações ambientais iniciaram um projeto de reflorestamento em áreas degradadas próximas aos fragmentos de floresta onde os primatas vivem. A iniciativa visa criar corredores naturais que permitam a migração entre diferentes áreas de mata, ampliando o espaço disponível e reduzindo o isolamento dos grupos.

Dados sobre o zogue-zogue

O primatólogo Gustavo Canale, professor associado da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), é um dos 20 autores do artigo que apresentou o zogue-zogue à comunidade científica. Ele explica que os esforços atuais são direcionados para confirmar a distribuição da espécie e identificar seu limite sul.

“Nós já confirmamos a espécie aqui no município de Sinop e existem algumas populações na região de Lucas do Rio Verde. Agora, vamos nos mover mais para a transição, entrando no Cerrado do estado, para verificar se o limite sul dessa espécie, como imaginamos, é essa transição entre Amazônia e Cerrado. Ou seja, onde há Cerrado propriamente dito, a espécie não ocorreria”, explica o primatólogo.

A distribuição do zogue-zogue é delimitada por barreiras naturais formadas pelos rios Juruena, Teles Pires e Arinos. Essas fronteiras, somadas ao avanço da agropecuária, ao uso do fogo e à fragmentação florestal, resultam em manchas isoladas de habitat. Em municípios como Alta Floresta, dados ambientais demonstram uma forte expansão do uso agropecuário e uma retração equivalente da cobertura florestal ao longo das últimas décadas.

Pesquisadores relatam que a perda de vegetação está acelerada no norte mato-grossense, área inserida no chamado “arco do desmatamento”. Fragmentos pequenos tendem a não sustentar populações viáveis a longo prazo, e incêndios florestais – comuns na região – aumentam a vulnerabilidade dos primatas. Barreiras como hidrelétricas e a abertura de estradas também dificultam a circulação dos grupos, ampliando o isolamento genético e espacial.

A barreira formada pelo reservatório

Na Gleba Mercedes, além do desmatamento, a família de cinco zogue-zogues enfrenta uma limitação adicional: a elevação do nível da água causada pela barragem de uma usina hidrelétrica. Moradores relatam que a formação do lago transformou um antigo riacho em uma área alagada de cerca de 300 metros, intransponível para os primatas. Essa alteração na paisagem reduziu ainda mais o habitat acessível e separou grupos que antes compartilhavam um mesmo conjunto contínuo de floresta.

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O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Mato Grosso registrou imagens desses animais na Gleba Mercedes em 2023. As imagens servem de base para a organização buscar recursos para que os moradores da região reflorestem a área e, assim, protejam a espécie.

Pesquisadores e organizações locais continuam mobilizados para reconectar áreas fragmentadas. Projetos de reflorestamento comunitário, plantio de espécies nativas e monitoramento de grupos isolados dos macacos avançam como alternativas para ampliar o habitat do zogue-zogue e reduzir o risco de desaparecimento no Mato Grosso.

Mesmo com duas grandes porções de floresta ainda existentes na região, o isolamento entre fragmentos menores é apontado por especialistas como um desafio crítico para a continuidade da espécie. Por isso, a criação de corredores florestais e o acompanhamento das populações se tornaram ações essenciais para garantir a sobrevivência do primata.

Com informações do Portal Amazônia.

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