Vilhena lamenta a perda de Plínio José da Silva, 83 anos, um dos moradores mais antigos e emblemáticos da cidade, falecido nesta quarta-feira, 14 de janeiro, em decorrência de insuficiência renal aguda. Nascido em Nobres (MT) em 1942, Plínio chegou ainda criança à região e se tornou parte fundamental da história local, acompanhando de perto o desenvolvimento de Vilhena.
Filho de seringueiro, Plínio viveu os ciclos da borracha, trabalhando na extração e convivendo com indígenas. Ele presenciou momentos cruciais, como a visita do presidente Juscelino Kubitschek em 1960 para a inauguração da BR-29 (atual BR-364), que impulsionou a migração e o surgimento da cidade. “Eu tinha 18 anos de idade, e me lembro claramente do JK aqui”, recordou em entrevista.
O pioneiro também viveu a decadência da borracha natural com a chegada do látex sintético, conflitos agrários e indígenas, pandemias e os desafios da vida na fronteira. “E segui acreditando na cidade, mas nunca pensei que Vilhena fosse ganhar as proporções atuais”, destacou. Ele descrevia a região como um ponto de encontro entre o cerrado e a Amazônia, onde a vegetação mudava drasticamente.
Casado com Brasilina Zonoecê, indígena filha do telegrafista Marciano Zonoecê, Plínio construiu uma família numerosa, deixando cinco filhos e netos. A família Zonoecê foi a primeira a se estabelecer fora das aldeias em Vilhena, há 83 anos. Plínio se considerava um “soldado da borracha”, responsável por manter viva uma atividade que sustentou gerações, acordando de madrugada para sangrar até 200 árvores por dia.

Seu legado é a memória dos seringais, a luta pela sobrevivência e a transição para a agricultura e pecuária. O velório aconteceu em sua residência, na avenida Beira-Rio, onde a família Zonoercê-Silva foi a primeira a se instalar, recebendo homenagens de amigos que reconheciam sua importância para a história de Vilhena. Sobre o caixão, uma camiseta do Terço dos Homens, movimento da Igreja Católica ao qual era dedicado.
Com informações do Portal Amazônia.










