Localizada próxima a Pauini, no Amazonas, a Vila Céu do Mapiá é um exemplo de comunidade preservada na Amazônia ocidental, segundo o Instituto Socioambiental. Situada em uma área de floresta densa às margens do rio Purus, a vila abriga famílias de diversas regiões do Brasil e recebe visitantes estrangeiros em busca de um modo de vida conectado à natureza.
O acesso à comunidade é predominantemente fluvial e aéreo, reforçando seu isolamento geográfico. A Vila Céu do Mapiá se consolidou como um núcleo comunitário estruturado, com moradias, espaços coletivos, áreas de cultivo e locais para atividades religiosas, educacionais e administrativas. O Portal Amazônia conversou com Ronaldo Pereira, um dos fundadores, para entender a origem e a resiliência da comunidade diante das ameaças ao meio ambiente e às comunidades tradicionais.

A história do Mapiá remonta à segunda metade do século XX, quando seguidores de práticas religiosas ligadas ao uso ritualístico da Ayahuasca começaram a ocupar a área. Na década de 80, Sebastião Mota de Melo, o Padrinho Sebastião, teve visões e sentiu um “chamado da floresta” para deixar Rio Branco, no Acre, e fundar a vila “Céu do Mapiá”, em um local remoto acessível apenas por longas viagens de voadeira.
Ronaldo Pereira, que acompanhou a fundação da vila, relata que tudo começou em 1975, quando Padrinho Sebastião buscou um local para aprofundar seus estudos na floresta. Após dificuldades com a posse da terra, o Incra indicou o seringal Céu do Mapiá, que já havia sido habitado pelos indígenas Apurinãs. “Nós começamos tudo do zero. A floresta era bruta, e a força comunitária foi fundamental para as primeiras instalações”, conta Ronaldo.

A organização social do Mapiá é baseada em regras comunitárias que orientam o uso do solo, a convivência entre moradores e a preservação ambiental. A floresta ao redor da vila é utilizada para agricultura de subsistência, coleta de frutos, manejo de plantas medicinais e proteção dos recursos naturais. A vila conta com cerca de 600 moradores e diversas estruturas, como a Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal (ICEFLU), a Associação dos Moradores da Vila Céu do Mapiá (AMVCM), escolas, um centro de saúde, cooperativas e centros culturais.

O movimento religioso do Santo Daime, fundado por Raimundo Irineu Serra, combina tradições cristãs, espíritas, esotéricas, caboclas e indígenas em torno do uso ritualístico da Ayahuasca. Padrinho Sebastião expandiu o culto por todo o país e além de suas fronteiras, deixando um legado que é mantido por seus filhos Alfredo e Waldete. “A Vila do Mapiá tem dois propósitos: levar o povo para a floresta e ensinar a sobreviver com o que tem lá, e a questão espiritual”, conclui Ronaldo Pereira, destacando o Mapiá como um “laboratório humano” para uma nova forma de vida baseada na fé e na sustentabilidade.




Com informações do Portal Amazônia.










