Vídeos borrados e pixelados podem ser um indício de manipulação por inteligência artificial (IA), facilitando o engano. Nos últimos seis meses, a qualidade dos vídeos gerados por IA melhorou significativamente, levantando questionamentos sobre a veracidade do conteúdo visual.
Sinais de alerta: qualidade e resolução
Um dos primeiros sinais de alerta, segundo o professor Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, é a baixa qualidade da imagem. Apesar de ferramentas de IA cada vez mais avançadas serem capazes de gerar clipes sofisticados, vídeos com qualidade inferior podem esconder inconsistências criadas artificialmente.
Entretanto, é importante ressaltar que a baixa qualidade não é uma prova definitiva de falsificação. O professor Matthew Stamm, da Universidade Drexel, alerta que vídeos de qualidade inferior nem sempre são gerados por IA. A questão é que esses vídeos são mais propensos a conter erros sutis, como texturas de pele excessivamente lisas, padrões estranhos em cabelos ou roupas, ou movimentos impossíveis de objetos no fundo.
Os geradores de vídeo por IA, como o Veo (Google) e o Sora (OpenAI), ainda apresentam pequenas inconsistências. Quanto mais nítida a imagem, maior a probabilidade de detectar esses erros. Ao solicitar à IA a criação de vídeos que simulem gravações antigas ou de câmeras de segurança, por exemplo, ela pode ocultar os sinais que revelariam a sua origem artificial.
Duração, resolução e contexto
Além da qualidade da imagem, a duração, a resolução e o contexto do vídeo são fatores importantes a serem considerados. Vídeos gerados por IA tendem a ser curtos, com duração entre 30 e 60 segundos, devido ao alto custo computacional da geração de vídeos mais longos.
A resolução e a compressão também são relevantes. A resolução indica o número de pixels em uma imagem, enquanto a compressão reduz o tamanho do arquivo, eliminando detalhes. Vídeos falsos de baixa qualidade podem ser propositalmente degradados para ocultar sinais de manipulação.
No entanto, as tecnologias de IA estão em constante evolução, e os sinais visuais que hoje nos alertam sobre a falsificação de vídeos podem desaparecer em breve. Especialistas preveem que, em até dois anos, a identificação de vídeos falsos com base em características visuais será praticamente impossível.
A solução, segundo especialistas, é mudar a forma como encaramos o conteúdo online. É fundamental verificar a origem do vídeo, o contexto em que ele foi publicado e se foi validado por fontes confiáveis. Assim como não consideramos um texto verdadeiro apenas porque alguém o escreveu, devemos questionar a veracidade de vídeos e imagens, investigando a sua procedência.
A segurança da informação no século 21 depende da nossa capacidade de adaptar nossos hábitos e desenvolver novas habilidades para identificar e combater a desinformação. A combinação de soluções tecnológicas, educação e políticas inteligentes é essencial para enfrentar este desafio.












