A Venezuela solicitou formalmente à Organização das Nações Unidas (ONU) que investigue ações militares dos Estados Unidos contra embarcações no Caribe. A denúncia ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois países, com o governo de Nicolás Maduro acusando Washington de planejar uma intervenção.
O presidente Maduro anunciou nesta quinta-feira (18) que as forças armadas iniciarão um programa de treinamento para civis no uso de armas, visando fortalecer a defesa do país. A medida, segundo o governo venezuelano, é uma resposta à presença de navios de guerra e caças americanos na região.
Desde o início de setembro, os Estados Unidos afirmam ter destruído três embarcações que supostamente transportavam drogas, resultando na morte de 14 pessoas. Washington acusa Maduro de envolvimento com o narcotráfico e oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura, não reconhecendo sua legitimidade como presidente.
Em resposta, a Venezuela realizou exercícios militares na ilha de La Orchila, a 65 km do continente, a mobilização mais ostensiva desde o envio da frota americana ao Caribe, justificado pelo combate ao narcotráfico. Especialistas, no entanto, questionam se o aparato militar enviado é compatível com essa justificativa.
Carlos Gustavo Poggio, cientista do Berea College nos EUA, ressalta que o equipamento enviado não se encaixa em uma operação de combate ao tráfico de drogas. Já Maurício Santoro, doutor em Ciência Política, compara a situação com a recente mobilização americana no Oriente Médio, sugerindo que os EUA podem estar se preparando para uma intervenção militar.
A operação americana inclui pelo menos sete navios, 4.500 militares e um submarino nuclear, além de aviões de vigilância P-8. A Casa Branca, por sua vez, não descarta o uso da força contra Maduro, acusado de liderar o “Cartel de los Soles”, classificado como organização terrorista pelos EUA. De acordo com informações divulgadas pela imprensa americana, o presidente Trump solicitou opções para lidar com a Venezuela, incluindo a possibilidade de uma invasão.
A escalada de tensões entre os EUA e a Venezuela insere-se em um contexto de instabilidade regional e de disputa por influência na América Latina. A crise também levanta preocupações sobre o impacto humanitário e a possibilidade de um conflito armado na região. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e a quarta maior reserva de gás natural, recursos que podem ser um fator determinante na estratégia de Washington.










