Libertação de presos políticos na Venezuela é questionada: número divulgado pelo governo não se confirma, diz entidade
O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) denunciou, nesta sexta-feira (9), que a libertação de prisioneiros anunciada pelo regime chavista não ocorreu de forma “plena, verificável, nem transparente”.
A entidade afirma que apenas um número reduzido de presos políticos foi libertado, “que não chegam nem a uma dezena”. Na quinta-feira (8), o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, um dos líderes do chavismo, havia afirmado que “um número significativo de prisioneiros”, tanto estrangeiros quanto venezuelanos, seria libertado.
“Até o momento, apenas um pequeno número de presos políticos — nem mesmo uma dúzia — teve sua libertação confirmada, de um total de mais de 1.000 pessoas detidas por motivos políticos, enquanto centenas de famílias continuam à espera, muitas delas após anos de sofrimento, angústia e revitimização”, diz o CLIPPVE, em uma postagem na rede social X.
Rodríguez havia declarado que as libertações eram um “gesto de paz”, acrescentando que a ação foi unilateral e não foi acordada com nenhuma outra parte. “O governo bolivariano, juntamente com as instituições estatais, decidiu libertar um número significativo de venezuelanos e estrangeiros, e esses processos de libertação estão ocorrendo neste exato momento”, acrescentou. O deputado é irmão da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA, no último sábado (3).
Rodríguez também agradeceu aos esforços do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao regime do Qatar, “que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação”. Não está claro se as negociações para as libertações envolveram o presidente Lula ou o governo brasileiro.
Entre os libertados está a ativista venezuelana Rocío San Miguel, que também tem nacionalidade espanhola. Ela estava detida desde 9 de fevereiro de 2024, após ser vinculada pelas autoridades a um suposto plano para assassinar o presidente Nicolás Maduro. San Miguel era mantida no Helicoide, prisão do serviço de inteligência considerada por organizações de direitos humanos como um “centro de tortura”.
Desde a operação militar que capturou Nicolás Maduro, o regime venezuelano intensificou a repressão, com interrogatórios e detenções, segundo o jornal “The New York Times”. O governo ordenou a “busca e a captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. Com um decreto de estado de emergência em vigor, há um aumento de policiais e agentes de segurança nas ruas, incluindo milícias armadas.
Com informações do G1










