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04 de março de 2026

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Em meio a negociações com Washington, Venezuela avança em libertação de presos políticos, incluindo jornalistas e cidadãos americanos

A Venezuela libertou, nesta quarta-feira (14), 14 jornalistas em meio ao lento processo de excarcações prometido pelo governo interino sob pressão dos Estados Unidos. Entre os libertados está o renomado ativista opositor Roland Carreño, além de cidadãos americanos, conforme anunciado pelo Departamento de Estado em Washington.

O governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu após a queda de Nicolás Maduro em um bombardeio em Caracas ordenado por Donald Trump, anunciou há quase uma semana o início desse processo de excarceração de presos políticos. ONGs estimam que a Venezuela tem entre 800 e mil presos políticos, e já são 68 libertações, incluindo profissionais da comunicação, segundo contagem da AFP.

Embora o governo informe ter libertado 116 detidos, o chefe do Parlamento insinua que o número chega a 400, incluindo dados de dezembro. Delcy Rodríguez tem previsto um encontro com a imprensa nesta quarta-feira. As autoridades evitam realizar as libertações diretamente nos presídios, transferindo os detidos para outros locais para evitar a exposição midiática.

Carreño foi libertado em um centro comercial, enquanto outros dirigentes, como o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, foram levados em uma viatura dos serviços de inteligência até suas casas. “Acabaram de nos avisar, neste momento vamos buscá-lo”, disse à AFP José Alejandro Pérez, sobrinho de Carreño, que esteve entre as mais de 2 mil pessoas presas após os protestos contra a reeleição de Maduro em 2024. Carreño, membro do partido Vontade Popular (VP) e ex-colaborador de Juan Guaidó, já havia sido preso entre 2020 e 2023, acusado de “terrorismo”.

O caso de Carreño foi questionado por uma missão de especialistas das Nações Unidas, que denunciou crimes contra a humanidade na Venezuela durante a repressão a protestos. “Justiça pelo meu filho”, declarou Zugeimar Armas, mãe de Neomar Lander, um jovem de 17 anos morto nos protestos de 2017. Washington saudou a libertação de americanos detidos na Venezuela, considerando-a “um passo importante na direção correta” por parte das autoridades interinas. A administração Trump já havia conseguido a libertação de outros americanos em troca de imigrantes venezuelanos presos em El Salvador.

Enquanto isso, familiares de vítimas dos protestos de 2017 criticaram a “lentidão” do Tribunal Penal Internacional (TPI) e pediram agilidade na investigação de crimes contra a humanidade cometidos pelo governo de Maduro.

Com informações do G1

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