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17 de fevereiro de 2026

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Vazamento de petróleo na Margem Equatorial: conter seria mais difícil que no Golfo do México

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Foto: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE

Pesquisadores alertam que a exploração de petróleo na Margem Equatorial, área costeira do Amapá, pode causar um desastre ambiental e social de grandes proporções. Um eventual vazamento de óleo ameaçaria não só a vida marinha, mas também animais como a onça-pintada, manguezais, áreas de pesca e atividades econômicas importantes para as comunidades locais, como a produção de açaí.

A pesquisa, publicada na revista Nature Sustainability, foi conduzida por cientistas das universidades federais e estaduais do Amapá (UNIFAP e UEAP) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Os modelos utilizados simulam a dispersão do óleo, levando em conta fatores como as correntes marítimas, ventos e o fluxo do rio Amazonas.

De acordo com o estudo, uma mancha de óleo poderia se espalhar por até 132 quilômetros em apenas três dias, afetando a biodiversidade, áreas protegidas e o abastecimento de água em cidades costeiras.

“Enquanto a discussão se concentra em como resgatar animais marinhos em caso de vazamento, o mais importante é a capacidade de conter o problema, caso ele aconteça”, explica o pesquisador Philip Fearnside, do INPA, um dos autores do estudo.

A profundidade do poço proposto – 2,88 quilômetros – e a complexidade das correntes oceânicas na região tornariam a contenção de um vazamento muito mais difícil do que o desastre de 2010 no Golfo do México, onde o poço tinha 1,5 quilômetro de profundidade e levou mais de cinco meses para ser controlado.

Impacto socioeconômico e alternativas

O estudo também destaca os riscos para a economia local. O Amapá tem uma população de mais de 700 mil habitantes, muitos dos quais dependem da pesca artesanal e da coleta de produtos da floresta, como açaí, castanha-do-brasil e cacau. A cadeia produtiva do açaí na região movimentou mais de R$ 6 bilhões em 2023 e estaria em risco em caso de contaminação.

Os pesquisadores lembram do vazamento de óleo que atingiu a costa nordestina em 2019, prejudicando milhares de pescadores, como um exemplo dos possíveis impactos.

Além disso, o estudo questiona se os royalties do petróleo realmente trarão benefícios para a região, citando experiências passadas em outros estados brasileiros onde o aumento da arrecadação não se traduziu em melhorias sociais sustentáveis. Os autores argumentam que, diante das metas globais de combate às mudanças climáticas, a exploração de combustíveis fósseis pode ser uma solução temporária e inviável.

Como alternativa, o artigo defende o aproveitamento do potencial de energia solar do Amapá, que poderia gerar cinquenta vezes mais energia do que o estado consome atualmente, utilizando apenas 1% de sua área. Outras propostas incluem o fortalecimento da bioeconomia local e do turismo comunitário.

*Com informações de conteúdo originalmente publicado pela Agência Bori.

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