Pastor alvo de denúncias de assédio contra fiéis vira réu por violação sexual no Amapá

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Pastor alvo de denúncias de assédio contra fiéis vira réu por violação sexual no Amapá

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Pastor alvo de denúncias de assédio contra fiéis vira réu por violação sexual no Amapá


Justiça aceitou denúncia contra Jeremias Magno Barroso, de 55 anos, acusado de usar da condição de líder de igreja para cometer atos libidinosos contra jovens. Pastor Jeremias está preso preventivamente desde janeiro
Victor Vidigal/G1
O pastor Jeremias Magno Barroso, de 55 anos, virou réu pelo crime de violação sexual mediante fraude após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público do Amapá (MP-AP) relacionada à investigação de assédio contra uma fiel da igreja, a qual liderava. Ele ainda é alvo de cerca de 10 inquéritos pela mesma prática, ocorridas, na maioria, nos últimos dois anos.
A denúncia do MP com base em apuração da Delegacia de Crimes Contra a Mulher (DCCM) foi aceita pelo juiz Diego Moura de Araújo, da 1ª Vara Criminal de Macapá.
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O magistrado aceitou o caso na quinta-feira (15), mas manteve apenas a vítima como assistente de acusação. Outras 7 mulheres constavam na denúncia também como assistentes de acusação. Algumas delas, são vítimas do pastor, preso preventivamernte desde janeiro.
O crime de violação sexual mediante fraude acontece quando a vítima é induzida ao erro, por acreditar que determinada conduta é necessária e que vai fazer bem à pessoa. A defesa de Jeremias sempre negou as denúncias.
Pastor Jeremias Barroso, da Igreja Getsêmani
Reprodução
É o que narra a denúncia, que diz que o pastor usava da fé para praticar atos libidinosos tocando as partes íntimas das vítimas, a maioria jovens frequentadoras da igreja.
“Mesmo achando muito estranho, a vítima pegou as mãos do denunciado e passou em seus braços, porém, o denunciado falou que deveria colaborar e passar as mãos dele pelas partes onde a pessoa que havia tirado a virgindade dela”, diz trecho da denúncia.
Outras investigações estão em curso contra o pastor e algumas delas também estão no Judiciário em segredo de Justiça.
Relatos
O G1 ouviu ao longo das investigações três mulheres que se identificaram como vítimas de Jeremias. Duas delas frequentavam a igreja do pastor.
Uma delas ainda era menor de idade preferiu não se identificar. Na primeira situação, Jeremias teria a chamado para conversar dentro do gabinete pastoral e começou a fazer perguntas sobre relacionamento, virgindade e a sexualidade.
“Ele falou que eu tinha ‘pomba gira’ e que precisava fazer uma oração por mim, que precisava me tocar em partes onde as pessoas que eu tinha tido relacionamento tinham me tocado, mas eu não me senti confortável e fiquei de braços cruzados. Aí ele pediu que eu me soltasse e perdesse a vergonha se não ele não poderia me ajudar. Eu não mudei meu posicionamento, continuei de braços cruzados”, descreveu.
Uma segunda vítima disse que foi assediada em março de 2018, cerca de dois meses após completar 18 anos. Também a sós com o pastor no gabinete, ela contou que ouviu que devia deixá-lo tocar nas partes íntimas como uma forma de purificação.
“Teve um momento em que ele disse que era para eu pegar as mãos dele e passar pelo meu corpo onde essa pessoa já tinha me tocado. E aí eu estranhei. Fiquei super constrangida, não sabendo para onde correr. E aí eu peguei a mão dele, passei no meu corpo e foi só isso. Eu saí me sentindo muito mal de lá, achando que ninguém ia acreditar em mim”, contou.
Os abusos não teriam acontecido apenas nos últimos 3 anos e nem só no ambiente religioso. Atualmente morando na França, a secretária executiva Elines Morais de 40 anos conta que também foi vítima de Jeremias quando morava em Macapá, em 1997.
Ela achava que havia sido um caso isolado e só falou sobre o caso depois que soube da prisão dele. Na época do crime, ela tinha 16 anos.
“Eu trabalhava na prefeitura de Macapá quando conheci o senhor Jeremias. Ele se aproximou de mim de uma forma gentil e educada. Em um dado momento que estávamos a sós numa sala, ele chegou perto de mim e pegou nas minhas partes íntimas pela frente. Eu fique em choque e muito constrangida. A partir dali, nunca mais fiquei sozinha com ele. Quando ele se aproximava, eu fugia”, relatou.
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