‘Me descobri escritora de livro infantil’, diz quilombola que se inspira na cultura da Amazônia

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‘Me descobri escritora de livro infantil’, diz quilombola que se inspira na cultura da Amazônia

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'Me descobri escritora de livro infantil', diz quilombola que se inspira na cultura da Amazônia


Esmeraldina Ramos começou a escrever depois dos 50 anos tem seis livros infantis publicados, todos eles envolvendo tradições e o cotidiano das comunidades tradicionais. Esmeraldina Ramos é escritora de livros infantis nascida no quilombo do Curiaú, em Macapá
Jorge Junior/Rede Amazônica
O Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado neste domingo (18), é comemorado pelo 2º ano consecutivo sem os eventos presenciais escolares por causa da pandemia. Ainda assim, a data não precisa passar em branco, já que os pais podem aproveitar o tempo livre durante a quarentena para incentivar o hábito da leitura entre as crianças.
A data 18 de abril foi escolhida em referência ao aniversário do escritor Monteiro Lobato, considerado o pai da literatura infantil no país. Com o passar dos anos, o gênero literário ficou cada vez mais rico e vários nomes receberam destaque Brasil afora.
Em Macapá, os livros infantis ganham vida através de contadores de histórias e escritores que, por meio da literatura, inspiram crianças e adolescentes a explorarem o mundo das palavras.
Dia do Livro Infantil: data busca lembrar imaginação dos pequenos leitores
Para marcar a data na capital, o G1 traz a história da escritora quilombola Esmeraldina Ramos, de 65 anos, que tem seis livros infantis publicados: O Sonho de Uma Menina, As Aventuras da Dona Florzinha, A Onça, O Encanto do Boto e O Melhor Caminho é a Escola e História do Meu Povo.
Nas obras ela conta de forma lúdica os acontecimentos do cotidiano do quilombo do Curiaú, local onde nasceu, em Macapá. A fama das histórias com temáticas amazônicas vai longe e as crianças da comunidade adoram ouvi-la narrando as histórias.
Escritora quilombola Esmeraldina Ramos possui 6 livros infantis publicados, em Macapá
Jorge Júnior/Rede Amazônica
Após a morte do pai, há cerca de 10 anos, ela começou a escrever com a intenção de transmitir às crianças ensinamentos e manter viva a memória do povo quilombola. Os livros de Esmeraldina vão além do entretenimento, expressando ancestralidade e cultura.
“Meu pai já estava partindo e ele começou a contar a história da vida dele, aí eu me inspirei e escrevi o meu primeiro livro chamado “História do Meu Povo”. De 2010 para cá eu me descobri escritora de livro infantil, para mostrar para às nossas crianças a história do marabaixo e o que acontece na comunidade”, conta.
Cinco de seis livros infantis publicados por Esmeraldina Ramos
Reprodução
Além de escritora, Esmeraldina é compositora, marabaixeira e artesã de família tradicional da comunidade. Ao perceber o dom da escrita, começou também a compor ladrões de marabaixo para o público infantil e explica que cada música é uma poesia cheia de sentimentos.
“Pra incentivar mais as nossas crianças a gente tem que escrever, não somente dançar, tocar ou cantar, tem que estar no caderno. Por isso eu comecei a escrever meus livros, já com o pensamento de valorizar o marabaixo e o batuque”, explica.
Esmeraldina Ramos, escritora nascida no quilombo do Curiaú
Jorge Junior/Rede Amazônica
Com o isolamento social em função da pandemia, a escritora não pode realizar rodas de leitura na comunidade, entretanto, ela aproveita o tempo dentro de casa com os netos, que não perdem a chance de ouvir os ensinamentos da avó através dos registros literários.
Atualmente Esmeraldina, já vacinada contra a Covid-19, conclui um novo livro. Apesar de manter surpresa sobre o título, revelou que a obra fala sobre cabelos.
“Nossas crianças quilombolas são lindas de cabelos trançados, então as minhas crianças me incentivam muito a escrever. Nessa pandemia, eu passo o dia todo escrevendo”, completou.
Netos de Esmeraldina Ramos ouvem a escritora contando histórias infantis na residência localizada no quilombo do Curiaú, no Amapá
Jorge Junior/Rede Amazônica
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