Macapá registrou quase 90 casos de violência contra idosos desde o início da pandemia

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Macapá registrou quase 90 casos de violência contra idosos desde o início da pandemia

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Dados são da Polícia Civil, que alerta para agressão, abandono, exploração financeira e violência psicológica como os abusos mais frequentes sofridos pelas vítimas. Macapá registra 88 casos de violência contra idosos na pandemia

Além dos problemas na economia, o isolamento social provocado pela pandemia também chamou atenção para a violência contra os idosos. No Amapá, a Polícia Civil já registrou 88 casos do tipo desde o início do período de surto da Covid-19.

O não acolhimento de familiares que estão isolados na mesma casa, deixa o público da faixa etária cada vez mais vulnerável a agressões, abandono, exploração financeira e violência psicológica, que são os principais registros envolvendo os idosos.

Segundo o delegado Neuton Júnior, titular da 5ª Delegacia de Polícia (5ª DP) de Macapá, especializada em crimes contra a pessoa idosa, na pandemia foram feitas 120 visitas em casas de idosos a fim de apurar possíveis casos de violência.

“Desde o ano passado nós passamos a realizar diversas visitas em hospitais, nas casas dos idosos, para investigar essas situações. Só para se ter uma ideia, desde o início da pandemia nós já realizamos mais de 120 visitas com relatórios, fotografias, sobre as mais diversas situações”, relatou.

De acordo com a vice-presidente do Conselho Estadual de Direito da Pessoa Idosa, Maria Nazaré Ferreira, o isolamento social somado com a falta de consciência de familiares, provoca um cenário em que o idoso se sente sozinho e esquecido.

“Na pandemia as pessoas pararam de trabalhar, então estão todos dentro de casa e o idoso reside nessa mesma residência. E aí o filho quer escutar uma música alta, o neto, e isso perturba muitas vezes o idoso. E muitas vezes as atividades dessa família não é de interesse do idoso, e ninguém se importa em acolher. Então ele se sente sozinho”, explicou.

Outro ponto que dificulta no combate é a preferência do idoso em omitir os abusos do que denunciar um filho ou neto. Isso faz com que a violência se torne silenciosa, segundo a conselheira.

“O idoso jamais vai denunciar alguém que ele ama, como um neto que grita com ele ou um filho que não atende. É uma violência silenciosa. São terceiros que presenciam e fazem a denúncia. É muitas vezes esse idoso, quando é acionado para relatar, ele nega”, contou.

A solução, de acordo com Maria Nazaré, seria uma tomada de consciência por parte dos familiares para que seja feito um acolhimento ao idoso.

“As famílias de hoje, dentro desse processo de pandemia que ainda vai perdurar por um bom tempo, que ela tome consciência que esse idoso precisa ser acolhido, ele precisa ser tratado da mesma maneira que ele tratou a sua família quando ele começou”, disse.

As denúncias de violência contra a pessoa idosa podem ser feitas pelo “Disque 100” ou por meio da Delegacia Virtual, disponível no site “policiacivil.ap.gov.br”.

Fonte: G1 Amapá