Para acalmar protestos, União Europeia destina R$ 286 bilhões a agricultores insatisfeitos com acordo Mercosul e reforma agrícola
A União Europeia (UE) anunciou, nesta terça-feira (6), um pacote de incentivos avaliado em 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões) para agricultores que se mostram contrários ao acordo comercial com o Mercosul e aos planos de reforma dos subsídios agrícolas. A medida busca amenizar as tensões e responder às preocupações do setor.
A Comissão Europeia, órgão executivo do bloco, propõe modificar sua proposta orçamentária para o período de 2028-2034, permitindo que os agricultores tenham acesso antecipado aos recursos. A informação foi divulgada em uma carta assinada pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.
O anúncio ocorre em um momento crítico, às vésperas de uma reunião especial de ministros da Agricultura em Bruxelas, convocada para tratar das “preocupações” dos agricultores. Produtores de França e Itália, entre outros países, temem o aumento da importação de produtos sul-americanos como carne, arroz, mel e soja, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção. Em contrapartida, a Europa espera exportar veículos e maquinário para o Mercosul.
Além do acordo com o Mercosul, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034 também é motivo de descontentamento entre os agricultores europeus. A UE manifestou a expectativa de assinar “em breve” o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A assinatura está prevista para 12 de janeiro, mas depende da aprovação dos Estados-membros, que será votada na sexta-feira.
Em protesto contra o acordo, agricultores franceses já realizaram atos de vandalismo, como o despejo de esterco e lixo em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, elogiou a iniciativa da Comissão Europeia, afirmando que “é um passo à frente positivo e importante nas negociações que conduzirão ao novo orçamento da UE”. A Itália, inclusive, já sinalizou que votará a favor do acordo comercial.
Uma fonte da UE informou à agência Reuters que a Itália votará a favor do acordo comercial. Uma reunião para a assinatura do pacto estava agendada para dezembro, mas foi adiada devido à resistência de França e Itália.
Com informações do G1










