Em discurso polêmico, Trump exige ‘retribuição’ de aliados pela defesa e ameaça tarifas sobre produtos europeus
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que a aceitação da anexação da Groenlândia pelos EUA seria uma retribuição dos Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e dos países europeus pelo investimento americano na defesa dessas nações.
Segundo o republicano, os EUA gastaram “trilhões e trilhões de dólares” para garantir a defesa desses países, destacando que, agora, eles “não estão preparados para defender” o lado americano. “Eu só estou pedindo um pedaço de terra. Então eles têm uma escolha. Podem dizer ‘sim’ [para a aquisição da Groenlândia] e nós vamos realmente ficar muito felizes com isso, ou podem dizer ‘não’, e nós vamos nos lembrar”, afirmou Trump durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
As falas ocorrem em meio a tensões diplomáticas entre Trump e líderes europeus, especialmente sobre a possível anexação da Groenlândia. No final de semana anterior, o presidente americano anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos da Dinamarca e de outros sete países europeus, caso continuem a se opor à aquisição da ilha do Ártico. “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”, declarou Trump em sua rede social, Truth Social.
Em resposta, o Parlamento Europeu sinalizou que pode congelar o acordo comercial com os EUA, como retaliação às ameaças de Trump. A suspensão do acordo poderia levar a tarifas retaliatórias da União Europeia, que somariam 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões), e a restrições ao acesso de empresas americanas ao bloco.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também presente em Davos, enfatizou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que tarifas ou pressões seriam um erro estratégico. Já o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pediu aos países europeus que evitem retaliações e “mantenham a mente aberta” sobre o tema. “Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”, afirmou Bessent.
*Esta reportagem está em atualização*
Com informações do G1











