Em declaração polêmica, Trump sugere usar a Otan para conter a imigração na fronteira com o México, invocando o Artigo 5 do tratado
Em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou nova polêmica ao sugerir que a Otan deveria ser “testada” e acionada para lidar com a imigração na fronteira com o México, descrevendo a situação como uma “invasão”.
Em uma postagem em rede social, Trump propôs invocar o Artigo 5 do tratado da aliança militar – que prevê defesa coletiva em caso de ataque – para forçar os aliados a ajudarem na proteção da fronteira sul dos EUA. “Talvez devêssemos ter colocado a Otan à prova: invocado o Artigo 5 e forçado a Otan a vir até aqui proteger nossa fronteira sul contra novas invasões de imigrantes ilegais, liberando assim um grande número de agentes da Patrulha de Fronteira para outras tarefas”, escreveu o presidente.
O Artigo 5 da Otan nunca foi utilizado para lidar com questões de imigração, sendo tradicionalmente associado a ataques armados contra países membros. Os Estados Unidos o invocaram apenas uma vez, em 2001, após os atentados terroristas de 11 de setembro.
As declarações de Trump ocorrem em um momento de tensões entre os EUA e a Europa. O presidente tem pressionado países aliados, defendendo que os EUA assumam o controle da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Durante o Fórum Econômico Mundial na Suíça, Trump afirmou que nenhum outro país além dos EUA é capaz de garantir a segurança da Groenlândia, mas ressaltou que não pretende usar a força para tomar o território, embora tenha voltado a ameaçar a Otan com retaliações.
“Nunca pedimos nada à Otan e nunca ganhamos nada da aliança. E provavelmente não teremos nada, a menos que eu decida empregar força excessiva”, afirmou Trump. “Cuidamos das necessidades da Otan durante anos e anos e somos tratados de forma muito injusta pela aliança”, acrescentou. O presidente também afirmou ter avançado nas negociações com a Otan sobre a Groenlândia, buscando acesso total à ilha.
Em outras frentes, Trump voltou a ameaçar o Irã, afirmando que “grande força” está a caminho do Oriente Médio. A União Europeia, por sua vez, sinalizou que se defenderá de “coerção” e anunciou investimentos militares no Ártico. Na Ucrânia, a falta de aquecimento devido a ataques russos tem levado famílias a buscar abrigo.
Com informações do G1










