Lula recebe convite de Trump para integrar conselho de paz em Gaza, com regras controversas de participação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de um “conselho de paz” para Gaza, com regras de participação que geram controvérsia. O projeto de estatuto prevê mandato de três anos para os membros, com uma exceção: quem doar US$ 1 bilhão em dinheiro vivo terá um cargo vitalício.
Trump descreveu o conselho como “o maior e mais prestigiado” já reunido, um elemento-chave da segunda fase do plano americano para encerrar a guerra no território palestino. Ele anunciou a iniciativa nas redes sociais, sem detalhar como o conselho operará na prática.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um convite para integrar o conselho, mas ainda não deu uma resposta. Segundo fontes próximas ao governo, Lula avaliará a proposta na próxima semana, e uma manifestação oficial só ocorrerá após sua decisão. O presidente da Argentina, Javier Milei, já confirmou sua participação, afirmando que será “uma honra” acompanhar a iniciativa.
Além de Lula e Milei, foram convidados o empresário bilionário Marc Rowan, Robert Gabriel (assistente de Trump no Conselho de Segurança Nacional) e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Trump presidirá o órgão, que discutirá temas como governança, relações regionais, reconstrução, investimentos e financiamento para Gaza. Paralelamente, o major-general Jasper Jeffers foi designado para liderar a Força Internacional de Estabilização (ISF) no território, responsável pela segurança e treinamento de uma nova força policial.
O convite a Lula ocorre em um contexto de críticas do presidente brasileiro às operações militares de Israel em Gaza, defendendo um cessar-fogo imediato e a criação de um Estado palestino. Essa posição contrasta com o apoio de Trump a Israel, o que pode gerar um dilema diplomático para o presidente brasileiro. Aceitar o convite poderia gerar questionamentos sobre a coerência de suas críticas, enquanto uma recusa poderia desagradar Trump, com quem o governo brasileiro busca uma aproximação.
O conselho de paz não está vinculado à ONU, fórum que o Brasil considera central para a mediação de conflitos. No entanto, uma recusa ao convite também poderia ser vista como um retrocesso na defesa do multilateralismo e da busca por soluções pacíficas para a crise em Gaza.
Com informações do G1










