Em meio a tensões, premiê do Reino Unido Keir Starmer chamou de “ofensivas e deploráveis” as críticas de Trump à Otan
Em Davos, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou suas críticas à Otan, alegando falta de apoio dos membros da aliança. As declarações provocaram uma reação imediata do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, que classificou os comentários de Trump como “ofensivos” e “deploráveis”.
“Considero as declarações do presidente Trump ofensivas e, francamente, deploráveis, e não me surpreende que tenham causado tanta dor aos familiares daqueles que foram mortos ou feridos”, afirmou Starmer a jornalistas nesta sexta-feira (23). A declaração faz referência às alegações de Trump sobre a atuação de tropas da Otan no Afeganistão, que foram contestadas como imprecisas.
Trump tem repetidamente questionado o valor da Otan para os Estados Unidos, alegando que o país arca com uma parcela desproporcional dos custos da aliança. Ele chegou a sugerir que os EUA poderiam invocar o Artigo 5 do tratado da Otan – que prevê defesa coletiva em caso de ataque – para lidar com a imigração na fronteira com o México, uma interpretação controversa do tratado.
A sugestão de usar o Artigo 5 para questões de imigração foi amplamente criticada, já que o mecanismo é tradicionalmente reservado para ataques armados contra países-membros. Os Estados Unidos invocaram o Artigo 5 apenas uma vez, após os ataques de 11 de setembro de 2001. Trump chegou a escrever em uma rede social: “Talvez devêssemos ter colocado a Otan à prova: invocado o Artigo 5 e forçado a Otan a vir até aqui proteger nossa fronteira sul contra novas invasões de imigrantes ilegais, liberando assim um grande número de agentes da Patrulha de Fronteira para outras tarefas”.
Além das críticas à Otan, Trump também tem defendido a compra da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, e ameaçado retaliações caso a aliança não atenda às suas demandas. “Nunca pedimos nada à Otan e nunca ganhamos nada da aliança. E provavelmente não teremos nada, a menos que eu decida empregar força excessiva”, declarou Trump durante o Fórum Econômico Mundial na Suíça. Ele também afirmou que os EUA buscam acesso total à ilha.
As tensões entre os Estados Unidos e a Europa aumentaram nas últimas semanas, com Trump pressionando os países aliados a aumentar seus gastos militares e a ceder a suas demandas em diversas áreas. A postura de Trump tem gerado preocupação entre os líderes europeus, que temem uma erosão da aliança transatlântica.
Em outras declarações, Trump voltou a ameaçar o Irã, afirmando que “grande força” está a caminho do Oriente Médio, em resposta a tensões na região. A União Europeia, por sua vez, anunciou investimentos militares no Ártico em resposta à “coerção” dos EUA.
Com informações do G1










