Em declaração polêmica, Trump diz que pode sacrificar a Otan para adquirir a Groenlândia e afirma não se importar com o direito internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou interesse em integrar a Groenlândia aos EUA, mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan e que “não precisa” do direito internacional. A revelação ocorreu em entrevista ao jornal “The New York Times”.
Trump afirmou acreditar que seus poderes como presidente dos EUA “se limitam apenas à sua própria moralidade”. A Casa Branca informou que o presidente considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, apesar da ilha afirmar que não está à venda. Trump também não descartou o uso da força para assumir o controle do território, considerado estratégico no Ártico, o que gerou reações negativas na Dinamarca e entre aliados europeus.
Após um pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se reuniu com representantes do país. A ministra dinamarquesa Vivian Motzfeldt declarou: “Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que Trump discute “ativamente” a possibilidade de compra, avaliando que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt ressaltou que a diplomacia é a opção preferencial, mas não descartou o uso da força.
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia, afirmando que o foco estaria em canais diplomáticos. Johnson, no entanto, admitiu que não foi informado previamente sobre a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, e que Trump já fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.
Senadores republicanos criticaram as declarações de Trump. Thom Tillis e Jeanne Shaheen declararam em nota conjunta: “Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações e respeitar a soberania e integridade territorial do reino da Dinamarca”. Eles enfatizaram a necessidade de focar em “verdadeiras ameaças” e trabalhar com aliados. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reforçou que a ilha não está à venda e que seu futuro deve ser decidido por seus 57 mil habitantes.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um ataque militar de um país da Otan contra outro colocaria em risco a aliança. Trump, por sua vez, tem criticado a Otan, alegando que ela beneficia países menores às custas da segurança americana. Em sua rede social Truth Social, ele publicou: “Sempre estaremos ao lado da Otan, embora eles não estejam ao nosso lado”.
Com informações do G1










