O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que forças militares americanas abateram três embarcações venezuelanas no litoral do país, alegando que transportavam drogas. A afirmação ocorre em um contexto de crescente tensão entre Washington e Caracas, com o envio de uma forte presença naval americana para o sul do Caribe sob o pretexto de combater o narcotráfico.
Segundo Trump, a terceira embarcação foi “eliminada” pela frota militar dos EUA, juntamente com um segundo barco abalido na segunda-feira (15), resultando em três mortes. Um primeiro incidente, no início de setembro, já havia deixado 11 pessoas mortas. O governo americano não detalhou a localização exata ou a data do terceiro ataque, nem confirmou se houve novas vítimas.
A Venezuela ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nova ofensiva. Em resposta a questionamentos de jornalistas, Trump afirmou que a mensagem para o presidente venezuelano Nicolás Maduro é clara: “Parem de enviar drogas aos Estados Unidos”.
A intensificação da presença militar americana na região, que inclui navios de guerra, militares e caças F-35, levanta questionamentos sobre os reais objetivos da operação. Especialistas consultados apontam que o aparato militar é desproporcional para uma simples operação de combate ao tráfico de drogas, levantando a hipótese de uma postura mais agressiva em relação ao governo Maduro, acusado pelos EUA de liderar o “Cartel de los Soles”, uma alegação controversa.
O governo Maduro, por sua vez, denunciou o que considera uma ameaça de “guerra no Caribe contra a Venezuela” e alertou para a necessidade de “união nacional” diante da escalada das tensões. O líder venezuelano defendeu o direito do país de se defender, argumentando que a maior parte do fluxo de cocaína para os EUA ocorre pelo Pacífico e através de portos do Equador.
A ação americana tem gerado preocupação em outros países da região, como Brasil e Colômbia, que temem uma escalada do conflito. Caças venezuelanos chegaram a sobrevoar embarcações norte-americanas, e Washington respondeu enviando caças F-35 a Porto Rico.
Organizações internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, criticaram os ataques, afirmando que o direito internacional não permite a execução sumária de supostos narcotraficantes. O Conselho enfatiza que atividades criminosas devem ser investigadas e processadas dentro do Estado de Direito, com cooperação internacional.
Os Estados Unidos justificam as ações invocando a legislação pós-11 de setembro e argumentando que ocorrem em águas internacionais, seguindo uma prática de ataques letais fora de seu território já utilizada por governos anteriores, tanto republicanos quanto democratas, e por outros países em operações como o combate à pirataria no Golfo de Áden.
Com informações do G1 Mundo










