Após operação da PF por suspeita de fraude, Tribunal do Trabalho de Rondônia e Acre rompe convênio com o Banco Master
O Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT 14), que abrange Rondônia e Acre, encerrou um convênio com o Banco Master, poucos meses após a assinatura do acordo. A rescisão foi formalizada em 6 de janeiro e divulgada no Diário Oficial desta quarta-feira (14).
A decisão ocorre em meio à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de fraudes financeiras envolvendo o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, seus familiares e outros empresários. Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco.
O convênio, assinado em maio de 2025, permitia que magistrados, servidores e pensionistas acessassem empréstimos, cartões de crédito e cartão de benefício consignado com desconto direto na folha de pagamento, desde que houvesse margem disponível. O Banco Master pagava ao TRT 14 R$ 1,25 por cada linha impressa no contracheque para cobrir os custos operacionais da consignação.
Embora o acordo tivesse validade de 60 meses, o TRT 14 optou por encerrá-lo de forma unilateral, mais de quatro anos antes do prazo previsto. A rescisão impede a realização de novos contratos, mas os descontos em folha de pagamento continuarão para aqueles que já possuem empréstimos, até a quitação da dívida.
O TRT 14 não se manifestou sobre o assunto até o momento. O Banco Master também não comentou a decisão. A Operação Compliance Zero investiga a aplicação de recursos captados de clientes e investidores em fundos, com posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes. Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado, com bloqueio de bens já ultrapassando R$ 5,7 bilhões.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem colaborado com as autoridades e demonstra “interesse no esclarecimento completo dos fatos”.
O caso do Banco Master ganhou destaque nacional e gerou uma disputa institucional. A liquidação do banco pelo Banco Central ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito para o Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a situação como a “maior fraude bancária” do país.
Nesta quarta-feira (14), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, cumprindo 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, seus familiares e outros envolvidos no mercado financeiro.
Com informações do G1










