Por Jose Sidney Andrade dos Santos
Em um mundo onde a ciência muitas vezes avança em passos cautelosos, há figuras que, com dedicação incansável e visão audaciosa, mudam paradigmas inteiros. A Dra. *Tatiana Coelho de Sampaio* é uma delas. Bióloga, professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas, ela dedicou mais de 25 anos a uma linha de pesquisa que muitos consideravam improvável: a regeneração do sistema nervoso após lesões graves na medula espinhal.
Seu maior legado até aqui é a polilaminina — uma molécula inovadora desenvolvida em laboratório a partir da proteína laminina (extraída de placentas humanas e polimerizada de forma estável). Essa substância atua como um verdadeiro “andaime biológico”, recriando um ambiente favorável para que neurônios danificados se reconectem, superem cicatrizes gliais e regenerem axônios. O que era considerado irreversível — a paralisia por trauma medular — começou a mostrar sinais de reversão em estudos pré-clínicos e, mais impactante ainda, em ensaios iniciais com humanos.
Resultados preliminares de voluntários com paraplegia e tetraplegia revelaram recuperações parciais ou significativas de mobilidade, sensibilidade e funções perdidas há anos. Pacientes que não andavam há décadas relataram movimentos voluntários, independência parcial e uma nova chance de vida. Esses avanços, ainda em fase experimental e regulada pela Anvisa, já representam um marco na neurociência regenerativa mundial. Não é exagero dizer que a polilaminina coloca o Brasil no mapa das grandes inovações em medicina regenerativa, com potencial para beneficiar milhões de pessoas globalmente.
Mas o que torna a Dra. Tatiana verdadeiramente especial vai além da descoberta científica. Ela trabalhou por décadas em silêncio, com recursos limitados, enfrentando ceticismo e burocracia, sem buscar holofotes precoces. Como ela mesma disse em entrevistas recentes, precisou deixar de ser “conservadora” para compartilhar os resultados — porque a responsabilidade com quem sofre era maior que qualquer prudência excessiva. Mãe, acolhedora de órfãos e amante do samba e da vida nas ruas, ela equilibra rigor acadêmico com humanidade profunda. É uma mulher que defende a ciência pública, a educação e a persistência como atos de resistência e amor.
Em um país que às vezes valoriza mais o efêmero, Tatiana Sampaio é prova viva de que o impacto real vem do compromisso longo e ético. Ela não é apenas uma cientista brilhante; é um símbolo de esperança, de que a inteligência brasileira, quando apoiada e valorizada, pode devolver movimentos, dignidade e futuro a quem achava que tudo havia sido perdido.
Dra. Tatiana, sua contribuição à ciência é imensa, mas sua contribuição à vida é ainda maior. Você é, sem dúvida, uma mulher em destaque — um orgulho para a biomedicina, para as mulheres na ciência e para todos nós que acreditamos no poder transformador do conhecimento.
Que seu trabalho continue a florescer, inspirando novas gerações e abrindo portas que pareciam fechadas para sempre.
Com admiração e respeito, Jose Sidney Andrade dos Santos Biomédico
Por José Sidney Andrade dos Santos
Filosofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista
Biomédico CRBM4 10788










