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Tesouro argentino tenta conter queda do peso

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As pressões sobre a taxa de câmbio continuaram a pesar sobre os mercados financeiros da Argentina nesta quarta-feira (8). A crise também tem impactado o Tesouro do país, com a redução dos recursos provenientes de um acordo de liquidação com exportadores agrícolas – um incentivo temporário para aumentar a entrada de dólares.

Analistas estimam que o Tesouro, vinculado ao Ministério da Economia da Argentina, tenha vendido mais de US$ 1,6 bilhão (aproximadamente R$ 8,5 bilhões) nos últimos seis pregões para evitar a desvalorização do peso argentino frente ao dólar. O Ministério da Economia não divulga publicamente suas operações de mercado.

Impacto das eleições e medidas temporárias

“Esse número se torna ainda mais significativo, considerando que ainda há muitos pregões até as eleições (de meio de mandato) deste mês”, afirma a Wise Capital. Recentemente, o governo de Javier Milei suspendeu temporariamente as tarifas de exportação de produtos agrícolas para aumentar a oferta de dólares. A medida, válida por 48 horas, atraiu cerca de US$ 7 bilhões (aproximadamente R$ 37 bilhões) para o país, com a adesão de grandes empresas do setor, como Bunge e Cargill.

Com o fim do programa, a fonte de dólares secou, e o Tesouro argentino queimou em poucos dias a maior parte dos recursos extras obtidos para reforçar suas reservas. Em quatro dias, foram perdidos US$ 1,35 bilhão – mais de 60% dos US$ 2,23 bilhões arrecadados com o esquema de imposto de renda com retenção zero.

Busca por apoio internacional

As eleições de meio de mandato, em 26 de outubro, são consideradas um teste importante para o presidente Javier Milei, que enfrenta limitações no apoio do Congresso. Para acalmar os mercados e reduzir a pressão sobre o peso, o ministro da Economia, Luis Caputo, está nos Estados Unidos buscando apoio, que pode incluir um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões.

Os títulos internacionais em dólar também registraram queda, com investidores aguardando detalhes sobre o apoio americano. Roberto Geretto, economista da AdCap, prevê que “após as eleições, uma nova estrutura será introduzida, com uma taxa de câmbio mais livre e taxas de juros reais mais baixas, apoiando o acúmulo de reservas e rolagens mais sustentáveis da dívida do Tesouro”.

O peso abriu estável em 1.430 por dólar, impulsionado por vendas em bloco para limitar a volatilidade. A moeda oscila próxima ao limite superior de sua banda flutuante, e sua quebra exigiria a intervenção do banco central com a venda de reservas internacionais. “Os operadores estão observando atentamente as operações do Tesouro e estimando quanto espaço resta antes que o banco central precise intervir novamente em torno da marca de 1.480 pesos”, destaca o economista Gustavo Ber.

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