Ondas de frio extremo e neve paralisam os EUA, com dezenas de mortes e centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica
Uma intensa tempestade de inverno varreu os Estados Unidos no fim de semana e continuou a causar estragos nesta segunda-feira (26), resultando em 30 mortes e deixando mais de 500 mil pessoas sem energia elétrica. O frio extremo, a neve e o gelo se estendem do Sul ao Nordeste do país, sem previsão de melhora, conforme alertam as autoridades meteorológicas.
De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia, mais de 30 centímetros de neve se acumularam em uma faixa de 2,1 mil km, do Arkansas à Nova Inglaterra. Em algumas áreas ao norte de Pittsburgh, a neve atingiu impressionantes 50 centímetros, com a sensação térmica despencando para -31 °C. Cerca de dois terços do território americano estão sob o impacto do frio.
Meteorologistas preveem que uma nova massa de ar ártico manterá as temperaturas abaixo de zero nas regiões já afetadas por neve e gelo. Há também a possibilidade de uma nova tempestade atingir a Costa Leste no fim de semana. A situação é grave, e as autoridades pedem que a população se proteja e siga as orientações.
As mortes foram registradas em diversos estados. Em Massachusetts e Ohio, duas pessoas foram atropeladas por limpa-neves. Adolescentes perderam a vida em acidentes com trenós no Arkansas e no Texas. No Kansas, uma mulher foi encontrada morta sob a neve após sair de um bar. Em Nova York, oito pessoas foram encontradas mortas ao ar livre durante o fim de semana gelado, e as causas estão sendo investigadas. Outras mortes foram confirmadas no Tennessee, Louisiana, Pensilvânia, Mississippi, Nova Jersey, Carolina do Sul e Kentucky.
Na noite de segunda-feira (26), mais de 560 mil imóveis estavam sem energia elétrica nos EUA, segundo o site poweroutage. A maioria das interrupções ocorreu no Sul, onde chuvas congelantes derrubaram árvores e postes. No Mississippi, abrigos foram montados com geradores, camas e cobertores. O governador Tate Reeves afirmou que a tempestade foi a pior no estado desde 1994, com pelo menos 14 casas, um comércio e 20 vias públicas sofrendo danos significativos. A prefeita de Oxford, Robyn Tannehill, comparou o cenário a um tornado: “Tantas árvores, galhos e fios caíram que parece que um tornado passou por todas as ruas.” A Universidade do Mississippi cancelou as aulas durante toda a semana.
O transporte aéreo também foi duramente afetado, com mais de 12 mil voos cancelados ou atrasados somente na segunda-feira, de acordo com o FlightAware. No domingo, 45% dos voos do país foram cancelados – o maior índice desde o início da pandemia, segundo a Cirium. Aeroportos estratégicos, como o de Dallas-Fort Worth, ficaram paralisados. Em Nova York, bairros acumularam de 20 a 38 centímetros de neve, e as escolas públicas foram fechadas, com cerca de 500 mil alunos tendo aulas online. A previsão é que os 48 estados contíguos registrem a menor média de temperatura desde janeiro de 2014, com -12,3 °C. Em Nashville, moradores lotaram hotéis para fugir do frio em casas sem aquecimento. Alex Murray, que se hospedou com a família, explicou: “Sei que muitas pessoas não conseguem pagar ou encontrar um lugar para ficar. Tivemos muita sorte.”
Com informações do G1










