A nova taxa de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 530 mil, pela cotação atual) imposta pelo governo dos Estados Unidos para candidatos ao visto H-1B, destinado a trabalhadores estrangeiros qualificados, tem gerado preocupação no setor de tecnologia americano. A medida, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em 19 de setembro, visa, segundo o governo, abrir mais oportunidades de emprego para trabalhadores americanos.
A taxa se aplica apenas a novas solicitações e não afeta aqueles que já possuem o visto. No entanto, executivos e investidores alertam que o aumento de custos pode impactar significativamente as empresas, especialmente as startups, que podem não ter recursos para arcar com o valor adicional.
Impacto no setor
A decisão tem sido amplamente criticada por líderes do setor, que a consideram um obstáculo ao crescimento e à inovação. Analistas também expressam a preocupação de que a medida possa afastar talentos estrangeiros que poderiam abrir empresas nos Estados Unidos.
Empresas de tecnologia relatam que a incerteza sobre a implementação da taxa e o alto custo já estão levando a pausas nos planos de recrutamento e a revisões nos orçamentos. De acordo com dados da Pew Research, cerca de 141 mil pedidos de visto H-1B foram aprovados em 2024. O visto é amplamente utilizado por empresas como Amazon, Microsoft e Meta.
Esther Crawford, ex-executiva do Twitter e atual diretora de gerenciamento de produtos da Meta, destacou a importância da atração de talentos globais para a competitividade dos Estados Unidos. “Imigrantes altamente qualificados não tiram oportunidades de nós, eles constroem conosco”, afirmou Crawford em seu perfil no LinkedIn.
Reações e alternativas
Sam Liang, cofundador da Otter, empresa de transcrição baseada em inteligência artificial, indicou que a empresa pode reduzir o número de funcionários com visto H-1B. Outra possibilidade levantada é a terceirização de parte da força de trabalho para países com custos mais baixos.
Advogados de imigração relatam que diversas empresas já manifestaram sua insatisfação com a taxa, considerando-a inviável. Algumas empresas de grande porte cogitam transferir suas operações para outros países em busca de talentos qualificados.
Deedy Das, sócia da empresa de capital de risco Menlo Ventures, que investiu na Anthropic, ressaltou que as grandes empresas podem até se beneficiar da redução da concorrência, mas as startups menores serão as mais afetadas.
Apesar das críticas, a medida também tem apoio de alguns setores. Reed Hastings, cofundador da Netflix, defendeu a nova política de vistos, argumentando que ela pode trazer mais segurança para empregos de alto valor.
Um relatório de 2022 da National Foundation for American Policy revelou que mais da metade das startups americanas avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais tiveram pelo menos um fundador imigrante. Empresas e advogados estão depositando esperanças em ações judiciais que questionam a legalidade da taxa, alegando que Trump extrapolou seus poderes ao definir o valor.










