O Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal, no Médio Xingu, Pará, está vivendo um importante ciclo de reprodução das tartarugas-da-Amazônia. Entre agosto e dezembro, milhares de fêmeas de tartarugas, tracajás e pitiús chegam às praias do rio Xingu para depositar seus ovos, transformando o local em um dos maiores sítios de desova de tartarugas de água doce da América do Sul.
O auge da temporada de desova ocorre entre setembro e novembro, quando a combinação do nível da água e da temperatura da areia cria as condições ideais para a incubação dos ovos. A partir do final de outubro, os filhotes começam a nascer, e essa fase se estende até janeiro, quando as pequenas tartarugas seguem para o rio Xingu.
As ações de conservação fazem parte do Programa de Conservação e Manejo de Quelônios, desenvolvido há 14 anos pela Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e as prefeituras da região.
O trabalho inclui o monitoramento dos ninhos, a fiscalização das áreas de reprodução e atividades de educação ambiental com as comunidades locais, elementos essenciais para o sucesso do programa. De outubro de 2023 a janeiro de 2024, foram identificados cerca de 1.692 ninhos, e 308.567 filhotes foram soltos na natureza, elevando o total de filhotes soltos desde o início das atividades para mais de 6,5 milhões.
Mesmo com a seca severa que afetou a região, o número de nascimentos superou o do ciclo anterior, resultado do esforço das equipes e do envolvimento da população ribeirinha. Em 2024, já foram registrados mais de 4.000 ninhos nas praias do Tabuleiro.
“O monitoramento constante e a conscientização das pessoas, junto com o conhecimento das comunidades ribeirinhas e tradicionais, são cruciais para a conservação das espécies. Cada ninho protegido e cada filhote devolvido ao rio significam um avanço na sobrevivência dos quelônios e no equilíbrio dos ecossistemas do Xingu”, explica Adriana Malvasio, especialista em quelônios e consultora do projeto.
A Norte Energia já investiu cerca de R$ 26 milhões no programa, contando com uma equipe de biólogos e técnicos ambientais. A conservação dos quelônios é fundamental para a saúde do ecossistema amazônico, pois eles ajudam a dispersar sementes, mantêm as cadeias alimentares e contribuem para a limpeza dos rios. Além disso, as tartarugas têm um importante valor cultural para as comunidades locais, representando longevidade e sabedoria.
O Revis Tabuleiro do Embaubal, criado em 2016, abrange 4.033 hectares e está localizado a cerca de 900 km de Belém. O refúgio possui uma paisagem única, com praias, várzeas e igapós, abrigando espécies ameaçadas, migratórias e exclusivas da região.
“O Tabuleiro do Embaubal é um patrimônio ambiental da Amazônia. A cada ciclo reprodutivo, reforçamos nosso compromisso de equilibrar o desenvolvimento energético com a conservação da biodiversidade, fortalecendo a participação das comunidades locais nesse esforço”, afirma Roberto Silva, gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia.
O Projeto Tartarugas-do-Xingu, criado em 2018, é uma iniciativa de voluntariado que visa proteger as principais espécies de quelônios da região e faz parte do Programa de Conservação e Manejo de Quelônios da hidrelétrica. Até agora, o projeto já devolveu cerca de 100 mil filhotes à natureza.








