Após diversas rodadas de negociação entre os governos brasileiro e norte-americano, o presidente Donald Trump anunciou, na quinta-feira (20), a suspensão da tarifa adicional de 40% aplicada a 238 produtos brasileiros. A decisão, segundo o governo brasileiro, é resultado de uma reavaliação interna nos Estados Unidos e do diálogo bilateral.
Reuniões diplomáticas e o papel dos intermediários
Um dos fatores que influenciaram a decisão de Trump foi o impacto da taxação sobre produtos como café e carne na inflação para o consumidor americano. Nos últimos meses, ocorreram reuniões formais – como as entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio – e conversas de bastidores.
Mauro Vieira é considerado central na articulação do encontro entre Lula e Trump, que abriu caminho para as negociações. Durante o período mais tenso da disputa comercial, o chanceler dialogou com interlocutores próximos a Trump, incluindo Marco Rubio, Jamieson Greer (assessor especial de Trump) e Richard Grenell (diplomata), todos com acesso e influência na Casa Branca.
Em março, com a imposição de sobretaxas sobre aço e alumínio, Lula orientou Vieira e o vice-presidente Geraldo Alckmin a intensificarem o diálogo com autoridades americanas. Com o anúncio da tarifa extra de 10%, a ordem foi intensificar as conversas, com reuniões com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. Os encontros tinham como objetivo apresentar dados sobre a balança comercial – favorável aos Estados Unidos – e demonstrar o superávit americano de US$ 410 bilhões no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. A expectativa de um acordo, contudo, não se concretizou.
Encontro entre Lula e Trump
Após a publicação de uma carta de Trump anunciando a tarifa adicional e relacionando-a a questões políticas, como a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, a avaliação em Brasília foi de que não havia espaço para negociação, uma vez que nenhum interlocutor de Trump estava autorizado a tratar de comércio, e o governo brasileiro não discutiria o caso Bolsonaro.
A retomada das negociações foi impulsionada por um encontro informal entre Lula e Trump, durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro. A aproximação foi precedida por conversas entre Richard Grenell e Celso Amorim, assessor especial de Lula, que indicaram a abertura de ambos os presidentes a um cumprimento informal. A partir desse encontro, as tratativas avançaram, culminando em um telefonema focado exclusivamente na agenda comercial.
Um encontro presencial na Malásia, durante uma reunião de países asiáticos, selou o acordo. A partir desse momento, as tratativas fluíram entre diplomatas brasileiros, a embaixada em Washington e autoridades americanas.
Papel de Geraldo Alckmin
O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, também teve um papel relevante, com encontros com auxiliares de Trump antes da conversa entre os presidentes. Em julho, Alckmin se reuniu duas vezes com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e com representantes de empresas de tecnologia, mantendo o diálogo e preparando o terreno para a aproximação entre Lula e Trump.











