O tarifaço de Trump nos EUA, que se manteve para os ovos brasileiros, interrompeu a alta nas exportações impulsionada pela crise da gripe aviária americana.
O aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mantido para o ovo, interrompeu o crescimento expressivo das exportações para o mercado norte-americano. A decisão de Donald Trump de sobretaxar em 50%, a partir de agosto, encerrou a oportunidade gerada pela “crise do ovo” nos EUA.
No início de 2025, as vendas brasileiras de ovos aos EUA dispararam devido a um surto de gripe aviária que reduziu drasticamente a produção local, chegando a preços de R$ 60 a dúzia em alguns supermercados. Os EUA flexibilizaram regras, permitindo o uso de ovos brasileiros em alimentos processados, mas proibindo a venda in natura.
Em janeiro, as compras americanas somaram 220 toneladas, saltando para mais de 5.000 toneladas em junho. No entanto, com a tarifa em vigor em agosto, o volume caiu para 41 toneladas em outubro, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Apesar da queda recente, as vendas de janeiro a outubro de 2025 representaram um aumento de 1.037,52% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A ABPA projeta que o Brasil encerrará 2025 com um aumento de 116,6% nas exportações de ovos, ultrapassando 1% da produção nacional. Paralelamente, as vendas para o Japão também cresceram 230% no mesmo período, enquanto as exportações para o Chile diminuíram 41%.
Ricardo Santin, presidente da ABPA, destaca que o Brasil está desenvolvendo uma “cultura exportadora” de ovos. A produção nacional deve atingir 62,25 bilhões de unidades em 2025, podendo chegar a 66 bilhões em 2026, o que representa 287 ovos por habitante, com potencial de aumento para 307 em 2026.
A crise do ovo nos EUA foi desencadeada por um surto de gripe aviária que persiste desde 2022, levando ao abate de cerca de 8 milhões de aves e à escassez do produto. O Departamento de Agricultura dos EUA exige o sacrifício de todas as aves em contato com animais infectados para conter a propagação do vírus, impactando a produção e elevando os preços.
Com informações do G1










