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21 de fevereiro de 2026

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STF Futebol Clube: onde a toga vira uniforme e a Justiça, torcida organizada

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Por José Sidney Andrade dos Santos

A frase “Sou STF Futebol Clube”, proferida pelo ministro Flávio Dino em uma reunião reservada do Supremo Tribunal Federal (STF) — vazada e amplamente repercutida em fevereiro de 2026 —, não é apenas uma gafe ou uma brincadeira infeliz. É uma confissão explícita e cínica de que o mais alto tribunal do país opera como um clube fechado, onde a lealdade corporativa suplanta a imparcialidade, a Constituição e o interesse público.

Dito no contexto de defesa da permanência de Dias Toffoli na relatoria do escândalo do Banco Master — caso em que o próprio Toffoli admitiu ter sido sócio de empresa ligada ao esquema bilionário —, o ministro Dino sinalizou: “E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF Futebol Clube”. Traduzindo sem rodeios: exceto em crimes hediondos (como estupro, segundo o tom da fala), os ministros não se afastam uns dos outros. Suspeição? Impedimento? Conflito de interesses? Nada disso vale quando se trata de “nós contra o mundo”. Aqui é time, é “nóis”, é uniforme de toga que protege o grupo acima de tudo.

 

O que isso revela de podre no sistema

Essa declaração escancara o corporativismo togados que há anos corrói a credibilidade do STF. Em vez de árbitros imparciais da Constituição, os ministros se comportam como jogadores de um time de várzea que faz gol com a mão e ainda comemora. A blindagem mútua — vista na nota conjunta de apoio a Toffoli, na redistribuição conveniente da relatoria e nas críticas ao relatório da PF como “lixo jurídico” — demonstra que o tribunal prioriza a autopreservação institucional sobre a accountability.

 

O povo brasileiro, que sustenta essa Corte com impostos, vira mero espectador de um jogo viciado. Quando um cidadão comum enfrenta suspeição por parentesco distante ou amizade, o rigor é implacável. Quando é ministro, vira “futebol clube”: time unido, torcida organizada interna, regras flexíveis para os de dentro. Isso não é Justiça; é casta intocável.

 

A frase viralizou por um motivo simples: ela resume o que milhões sentem há tempos. O STF não julga mais com base na lei; julga com base no “quem é do time”. Decisões monocráticas, inquéritos sem fim, prisões sem julgamento, vazamentos seletivos — tudo isso ganha contornos ainda mais graves quando o próprio ministro admite que a lealdade ao clube supera o dever funcional.

 

Consequências para a democracia

Enquanto o “STF Futebol Clube” se protege, a sociedade perde. Perde confiança nas instituições, perde fé na igualdade perante a lei, perde o freio ao abuso de poder. Em um país já dividido, essa percepção de dois pesos e duas medidas alimenta extremismos e deslegitima o próprio Judiciário que se diz guardião da democracia.

 

Flávio Dino, com sua fala, não inventou o problema — apenas o nomeou com clareza brutal. O Supremo precisa urgentemente romper com essa lógica de clube fechado. Caso contrário, continuará sendo visto não como poder moderador, mas como clube de elite que joga só para si mesmo.

 

José Sidney Andrade dos Santos

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