Após intervenção americana, governo Delcy Rodríguez na Venezuela oscila entre concessões e repressão, gerando incerteza sobre o futuro do país
Caracas – Nos seis dias seguintes à operação que removeu Nicolás Maduro do poder na Venezuela, o governo liderado por Delcy Rodríguez, agora sob a influência dos Estados Unidos, tem demonstrado sinais contraditórios em sua tentativa de consolidar o controle do país.
O anúncio da libertação de presos políticos coexiste com a manutenção do aparato repressivo nas ruas e medidas para impedir manifestações de apoio à intervenção militar americana. Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e presidente da Assembleia Legislativa, justificou a soltura de prisioneiros como “um gesto para consolidar a paz e a convivência pacífica”, ressaltando que a decisão foi unilateral e não resultado de pressão dos EUA.
A libertação, no entanto, ocorreu de forma lenta e confusa. A madrugada foi marcada pela angústia dos familiares, sem informações precisas, e resultou na soltura inicial de apenas cinco pessoas com passaporte espanhol, incluindo o ex-candidato Enrique Márquez e a advogada de direitos humanos Rocío San Miguel, presa por 23 meses sob acusações consideradas falsas – conspiração, traição e terrorismo. “Três da manhã na Venezuela. Uma noite absolutamente dramática com centenas de famílias esperando. No plano político, a não liberação nesta noite, depois de mais de cinco horas desde o anúncio, só deixou de lado a fragilidade do poder do Rodrigato. O que ou quem está impedindo que os presos políticos saiam?”, questionou o cientista político Luis Peche em suas redes sociais.
A ONG Foro Penal estima que o governo venezuelano mantenha 820 pessoas presas por motivos políticos, com acusações frequentemente consideradas fantasiosas. Cerca de uma centena está detida no El Helicoide, prisão conhecida por relatos de tortura. O regime chavista, agora sob a “tutela” de Trump, alterna entre demonstrações de abertura e a manutenção de paramilitares e milícias para garantir a ordem pela força, indicando que o aparato repressivo permanece intacto.
Em discurso público, a presidente interina busca projetar a imagem de resistência à intervenção americana na deposição de Maduro e Cília Flores. “Ninguém aqui se rendeu. Houve uma luta e uma luta por esta pátria. Temos dignidade histórica, compromisso e lealdade ao presidente Maduro, que foi sequestrado”, declarou ela durante uma cerimônia em homenagem aos mortos na operação americana. No entanto, essa veemência perde força diante do controle do petróleo venezuelano pelos EUA e da brutalidade observada nas ruas.
Trump afirmou que a libertação de prisioneiros foi um “sinal de paz” e que a cooperação de Delcy Rodríguez o levou a cancelar uma segunda etapa de ataques. A situação na Venezuela permanece volátil, com o futuro do país incerto diante da complexa dinâmica entre os novos atores no poder.
Com informações do G1










