Acordo UE-Mercosul é aprovado e abre caminho para maior zona de livre comércio do mundo, impulsionando o agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro manifestou satisfação com a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, nesta sexta-feira (9). O tratado, que criará a maior zona de livre comércio do mundo, é visto como um passo importante para a expansão das exportações e o fortalecimento das relações comerciais.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou que o anúncio representa “um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais”. A entidade ressaltou que o acordo reforça a imagem do Brasil como um fornecedor confiável de proteínas, “com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva”.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também considerou a aprovação um avanço significativo, “após mais de duas décadas de discussões e ajustes”. O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, enfatizou que a imposição de tarifas por Trump no ano passado evidenciou a necessidade de acordos bilaterais para ampliar o alcance do comércio internacional brasileiro.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) informou que o setor de cereais também será beneficiado, mesmo que as exportações de soja em grão, farelo de soja e milho já não enfrentem barreiras tarifárias. “O acordo poderá proporcionar maior previsibilidade aos exportadores, reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados”, afirmou a Anec em nota.
No setor de café, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, acredita que o acordo pode aumentar a competitividade do café solúvel brasileiro na Europa, onde o país enfrenta a concorrência do Vietnã, que já possui acordo comercial com o bloco para tarifa zero. O acordo prevê a eliminação das tarifas para o café solúvel e torrado e moído em um período de 4 anos. “As previsões iniciais é de que a gente pode crescer até 35% nos próximos anos”, afirmou Matos.
O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificou a aprovação como um avanço para a assinatura do acordo, possivelmente na semana que vem, celebrando o momento histórico. Em suas redes sociais, ele destacou que a parceria com o setor agropecuário criará oportunidades para o Mercosul e ampliará os negócios. Fávaro também mencionou que as salvaguardas ainda podem ser debatidas, sendo recíprocas.
As salvaguardas, aprovadas pelos parlamentares europeus em dezembro, permitem a suspensão temporária dos benefícios tarifários do Mercosul caso a UE considere que isso esteja prejudicando algum setor agrícola local. A diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, explicou que essas salvaguardas podem limitar as exportações brasileiras, o que seria contraditório em um acordo de livre comércio. A CNA e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
Com informações do G1










