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17 de fevereiro de 2026

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Seca na Amazônia e eventos extremos: o que explica 2023?

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A seca severa que atingiu os rios da Amazônia em 2023, a maior chuva já registrada no Brasil e os temporais no Rio Grande do Sul, com um número alarmante de vítimas, foram eventos extremos que despertaram o país para os impactos das mudanças climáticas. Um estudo recente, conduzido por 19 cientistas brasileiros, da Unesp e outras instituições, buscou entender os fatores que levaram a essa sequência de desastres.

A pesquisa, publicada nos Anais da Academia de Ciências de Nova York, detalha como as condições anômalas geradas pelo El Niño se somaram ao aquecimento global para intensificar esses fenômenos. A combinação desses fatores resultou em eventos climáticos de proporções inéditas em diversas regiões do país.

Chuvas no litoral paulista e os “rios voadores”

Em fevereiro de 2023, o litoral norte de São Paulo enfrentou chuvas torrenciais, as maiores já registradas em 24 horas no Brasil, com 682,8 mm de precipitação em Bertioga. A tragédia deixou 65 mortos e centenas de desabrigados. O estudo explica que a massa de ar frio que atingiu o litoral paulista encontrou ar quente, criando um cenário propício para a formação de fortes tempestades.

A Serra do Mar, que impede a passagem do vento, contribuiu para o acúmulo de umidade e a intensificação das chuvas. Além disso, a temperatura mais alta do Oceano Atlântico – cerca de 1 a 2°C acima do normal – aumentou a quantidade de água evaporada, fornecendo mais combustível para as tempestades. Esse aquecimento oceânico está diretamente ligado às emissões de gases de efeito estufa.

Seca na Amazônia e o ciclo natural do El Niño

A seca que atingiu a Amazônia em 2023, com o nível do rio Amazonas atingindo o menor patamar histórico em Manaus (12,70 m), está relacionada ao fenômeno El Niño. Este fenômeno climático cíclico, conhecido desde 1578, causa alterações nos padrões de vento e temperatura no Oceano Pacífico.

Normalmente, os ventos alísios sopram do leste para o oeste, levando água quente para a Ásia. No entanto, durante o El Niño, esses ventos enfraquecem, permitindo que a água quente permaneça próxima à costa da América do Sul, gerando uma zona de baixa pressão e aumentando as chuvas na região. Ao mesmo tempo, a Amazônia passa a sofrer com a falta de chuvas, intensificando a seca.

“O El Niño está associado a um aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico. Se a água está mais quente, por condução ela esquenta a atmosfera adjacente. Essa perturbação gera ondas na atmosfera, ondas muito grandes, com um comprimento da ordem de 1.000 km”, explica Camila Carpenedo, líder do Núcleo de Estudos sobre Variabilidade e Mudanças Climáticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Ciclones no Sul e o aquecimento global

O Rio Grande do Sul também foi afetado por quatro ciclones extratropicais em 2023, que causaram inundações e deslizamentos de terra. Esses ciclones são comuns na região, mas o aquecimento global pode estar contribuindo para que se tornem mais intensos. À medida que a temperatura aumenta, a atmosfera retém mais umidade, o que pode levar a chuvas mais fortes.

“Passe a ocorrer um número menor de ciclones, mas os que ocorrerem tendem a ser mais intensos”, afirma Luiz Felippe Gozzo, professor da Unesp de Bauru. “O espaço de tempo entre um e outro vai ser maior, então a atmosfera acumula mais energia. Além disso, quando está mais quente, o ar consegue armazenar mais vapor de água. E aí ocorrem chuvas mais intensas.”

Os pesquisadores alertam que, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no ritmo atual, eventos climáticos extremos como os de 2023 se tornarão cada vez mais frequentes e intensos ao longo do século 21, com impactos significativos na agricultura, nos recursos hídricos e na segurança das populações.

*Baseado em informações do Jornal da Unesp

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