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17 de fevereiro de 2026

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Seca isola comunidades ribeirinhas no arquipélago do Bailique, no Amapá

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Comunidades do arquipélago do Bailique, em Macapá (AP), voltaram a enfrentar o isolamento devido à seca na foz do Rio Amazonas. A situação se repete um ano após um mutirão da população para abrir o Canal do Livramento, mas o assoreamento e a baixa vazão do rio impedem o tráfego de embarcações, essenciais para o acesso à escola, pesca e trabalho.

Moradores relatam que a maré não sobe o suficiente para permitir a passagem dos barcos, especialmente em áreas onde o canal se estreitou. Vídeos mostram trechos que antes eram navegáveis transformados em lama e vegetação, forçando as pessoas a caminhar para alcançar o rio. Barcos pequenos, como as rabetas, conseguem navegar apenas com a maré alta.

As comunidades afetadas incluem Ponta da Esperança, Capinal, Arraio, Livramento, Ilha das Marrequinhas e outras. Zeth Serges, moradora do Livramento, área mais crítica com seis quilômetros de assoreamento, relata que já presenciou a perda de alimentos e mercadorias devido à impossibilidade de transporte fluvial: “Já vi famílias com caixas de peixe que não conseguiam passar. Às vezes, precisam deixar tudo na praia. O mesmo acontece com barcos cheios de melancia ou banana, que ficam presos e não chegam a Macapá”, disse Zeth.

O governo do Amapá informou que dragas estão trabalhando desde o ano passado para alargar o canal e remover sedimentos, com um investimento de R$ 9 milhões do Governo Federal. Até o momento, cinco quilômetros foram dragados entre Arraio e Livramento, e as equipes seguem para o Igarapé Grande. Na terça-feira (16), 100 mil litros de água potável e 2.250 cestas básicas foram entregues à população local como parte de ações de ajuda humanitária.

Serviço de dragagem na Foz do Rio Amazonas para evitar seca
Serviço de dragagem na Foz do Rio Amazonas para combater a seca. Foto: Divulgação/Setrap

Pesquisadores do Iepa (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas) alertam que a dragagem deve ser contínua e acompanhada de estudos para entender a dinâmica dos sedimentos e evitar o reassoreamento. O instituto classifica o Bailique como uma região vulnerável às mudanças climáticas, devido à sua localização em área costeira, onde alterações no regime de chuvas e no nível do mar intensificam os problemas.

Com informações do Portal Amazônia.

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