Moscou eleva tom e ameaça atacar forças ocidentais na Ucrânia, minando esperanças de um acordo para acabar com o conflito
A Rússia criticou nesta quinta-feira (8) o plano europeu de garantias de segurança para a Ucrânia e advertiu que considerará como “alvo legítimo” toda presença militar ocidental no país. A reação de Moscou representa um duro golpe às esperanças de que a iniciativa possa aproximar o fim do conflito, que se arrasta há quase quatro anos e é considerado o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
A advertência russa ocorre em meio a intensos bombardeios contra a Ucrânia, com foco em infraestruturas de energia. Mais de meio milhão de famílias ficaram sem água e calefação após ataques noturnos com drones, em meio a temperaturas congelantes. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, declarou: “As novas declarações militaristas da chamada Coalizão dos Voluntários e do regime de Kiev constituem juntos um genuíno ‘eixo da guerra'”.
Membros da Coalizão dos Voluntários se comprometeram, em reunião em Paris, a fornecer garantias “robustas” de segurança para Kiev, incluindo a possível mobilização de uma “força multinacional” apoiada pelos Estados Unidos, caso seja alcançada uma trégua. França, Reino Unido e Espanha já manifestaram disposição para enviar tropas para a missão, embora detalhes sobre a força ainda não tenham sido divulgados.
Zakharova enfatizou que “Todas estas unidades e instalações serão consideradas alvos legítimos para as forças armadas russas. Estas advertências têm sido feitas repetidamente no mais alto nível e seguem sendo válidas”. A Rússia já havia alertado anteriormente que qualquer mobilização militar ocidental na Ucrânia seria vista como uma linha vermelha.
Enquanto isso, os Estados Unidos não assinaram a declaração de segurança. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou que o documento está “praticamente pronto” para ser apresentado ao presidente americano, Donald Trump, para sua aprovação. Os ataques russos na região de Dnipropetrovsk deixaram mais de um milhão de famílias sem água e calefação, e a infraestrutura energética crítica da região sofreu danos.
A força aérea ucraniana relatou ter derrubado 70 de 97 drones russos em ataques noturnos, mas 27 atingiram seus alvos. Desde o fim de novembro, com a apresentação de um plano de paz por Washington, os esforços para encontrar uma solução para o conflito se intensificaram, principalmente entre Kiev e seus aliados ocidentais. A Rússia continua exigindo a retirada das forças ucranianas de 20% da região de Donetsk e um compromisso jurídico de que a Ucrânia não entrará na Otan. O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou que alcançará seus objetivos, seja pela via diplomática ou pela força.
Com informações do G1










