Já pensou em saber como falar que vai visitar o Lago do Caracaranã ou que mora em Caracaraí na Língua Brasileira de Sinais (Libras)? Agora é possível! Um guia regional em Libras, com sinais que representam Roraima, está disponível gratuitamente para apoiar a inclusão da comunidade surda roraimense, respeitando a cultura local.
Roraima, estado influenciado por diversos povos do Norte e Nordeste do Brasil, além de imigrantes de outros países como Venezuela e Guiana, e com forte presença de mais de 10 línguas indígenas, tem um vocabulário único. E a comunicação vai além das palavras faladas.
As línguas de sinais são formas de comunicação que usam gestos e movimentos em vez da fala, com seu próprio vocabulário e gramática. Assim como cada povo desenvolveu seu idioma oral, cada comunidade criou sua língua de sinais. Por isso, existem línguas de sinais em diferentes países e regiões.
O Grupo Rede Amazônica conversou com Erick Fabiano de Almeida Chagas, 49 anos, professor responsável pelo Centro Estadual de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) de Roraima, um dos colaboradores do guia.
“O guia é uma forma de valorizar a cultura surda, para que as pessoas a conheçam e entendam que os surdos têm necessidades e uma maneira própria de conhecer os lugares do estado”, ressaltou Erick.
O material inclui sinais para pontos turísticos como o Monte Roraima, o Portal do Milênio, o Bosque dos Papagaios e a Orla Taumanan. Também apresenta os 15 municípios de Roraima, além de instituições públicas, escolas, universidades, igrejas e bairros da capital, Boa Vista.
O projeto começou em 2015 com professores do CAS, instrutores e membros da comunidade surda, mas foi interrompido e retomado em 2023. A criação dos sinais, que só começou em 2024, envolveu visitas aos locais, observação do ambiente e participação de instrutores surdos e professores de Libras.
Por exemplo, o sinal para Uiramutã reproduz uma cachoeira, já que a cidade é conhecida por suas mais de 80 cachoeiras inexploradas e por ser a cidade com a maior proporção de indígenas do país.
Já o Monte Roraima é representado por um gesto que simula o formato plano do topo da montanha, uma das maiores formações geológicas do planeta e um importante cartão postal do estado.
O Portal do Milênio, outro símbolo de Boa Vista, é reproduzido pelo formato do arco que o marca.
“A criação dos sinais parte da visita aos locais, da observação do contexto e das características do ambiente. Trabalhamos com a pedagogia visual, então os participantes observam elementos específicos e constroem o sinal a partir disso. É um estudo aprofundado que exige atenção dos professores de Libras e da comunidade surda envolvida”, explicou Erick.
Segundo o professor, os sinais precisam ser criados por pessoas surdas, que conhecem a cultura e têm vivência para representar os significados.
O principal objetivo do guia é levar informação para a comunidade surda e ouvintes, fortalecendo a inclusão, o empoderamento das pessoas surdas e a empatia da sociedade. Em muitos casos, pessoas surdas não recebem atendimento adequado em locais públicos por falta de um intérprete de Libras.
“A comunidade surda, mesmo conhecendo os lugares, se sente valorizada ao ver sinalização em Libras. Isso mostra que a sociedade está acolhendo e inserindo as pessoas surdas”, afirmou Erick.
O guia está disponível gratuitamente online nos perfis do CAS Roraima e da Secretaria de Educação e Desporto (Seed) no Instagram. Você também pode baixá-lo aqui. Além do acesso online, o material será distribuído em escolas e instituições.
Uma segunda versão do guia está sendo planejada, com novos pontos turísticos, órgãos públicos, escolas e igrejas.











