De Porto Velho para Paris: designer rondoniense conquista o mundo da alta joalheria com peças inspiradas na Amazônia
Paris, passarelas e alta joalheria pareciam um sonho distante para a rondoniense Roberta Barbosa. Hoje, esse universo é sua realidade: ela construiu carreira na área em Paris e desenvolve um portfólio marcado por referências da Amazônia.
Roberta explica que crescer na Amazônia foi determinante para seu olhar como designer, principalmente pela conexão com a natureza. No início, o objetivo era “ganhar o mundo”, mas hoje ela reconhece que a vivência em Porto Velho foi essencial na sua formação.
“Pra mim, ser uma profissional da Amazônia numa marca global é, antes de tudo, representatividade. É ser a única brasileira do time. Acredito de verdade que minha origem é minha maior força criativa. Na França (ou qualquer lugar pra falar a verdade), ninguém consegue imaginar a riqueza que é crescer na Amazônia”, disse.
Essa identidade se manifesta diretamente em seu trabalho. No portfólio, peças inspiradas no Uirapuru e na Ayahuasca traduzem em joias elementos da região onde cresceu. “Fiz da minha cultura a minha especialidade. Transformei o Uirapuru em broche, a Ayahuasca em brinco e trouxe comigo as minhas referências de vida. É só olhar meu portfolio: é todo verde. Estou aqui mas uma parte minha continua aí, e isso pra mim ficou muito forte nessa época”, completou.
O interesse pela criação sempre esteve presente, mas a joalheria entrou na vida de Roberta ainda na infância, através da mãe, que produzia colares de pérolas, atividade que se tornou um negócio familiar. Esse contato influenciou a forma como ela enxerga as peças até hoje. “Sempre me interessei por arte, desenho e criação, mas a joalheria fez parte da minha vida de uma forma muito orgânica. Eu cresci mergulhada nesse mundo. Eu cresci vendo a joia ocupar esse lugar ambíguo entre o íntimo e o público. É pequeno, mas afirma algo muito forte”, disse.
Apesar disso, Roberta cursou arquitetura, buscando uma área ligada à arte e à criação. A decisão de seguir na joalheria veio no fim da graduação, após um curso com o irmão em um ateliê montado pelo pai. “Era algo muito minimalista, com pedras brasileiras, muito íntimo, mas pra mim virou uma chave”, disse. Em 2020, mudou-se para Paris para se especializar, enfrentando desafios como a pandemia e a barreira do idioma, mas valorizando cada vez mais suas origens.
Na escola, Roberta participou de concursos importantes, e um projeto vencedor, um broche que replicava movimento e elementos da montaria, abriu portas no mercado internacional. Hoje, trabalhando com alta joalheria, ela desenvolve desenhos criativos, sendo a única brasileira no time e vendo sua origem como um diferencial.
Com informações do G1










