Um novo capítulo na colheita do açaí se inicia no Amapá. A empresa paraense KAA Tech começou a produzir o AçaíBot, o primeiro robô brasileiro projetado para colher o fruto, em uma fábrica recém-inaugurada em Macapá. A tecnologia promete revolucionar o trabalho dos peconheiros, aumentando a produtividade e diminuindo os riscos de acidentes.
O AçaíBot é capaz de colher até uma tonelada de açaí por dia – dez vezes mais do que a colheita manual. O equipamento sobe sozinho nos açaizeiros, corta os cachos e facilita o trabalho, permitindo que um único operador colha uma quantidade significativamente maior de açaí.
De acordo com Reinaldo Santos, idealizador do robô, a instalação da fábrica no Amapá tem um propósito claro: “Aproximar a inovação das comunidades locais, como ribeirinhos, indígenas e quilombolas”. Ele ressalta que o principal objetivo é acabar com os acidentes graves que deixam muitos trabalhadores incapacitados todos os anos.
“O robô elimina o risco de queda, que causa sequelas para muita gente. Mulheres e pessoas mais velhas poderão voltar a trabalhar com segurança. Esse é o nosso sonho: tornar o trabalho na floresta menos árduo e mais digno”, declarou Santos.
A construção do AçaíBot utiliza materiais leves, facilitando o transporte e o manuseio. O robô pode ser carregado com facilidade e operado por meio de um controle intuitivo, utilizando a mesma tecnologia presente em carros elétricos.
Manoel de Nazaré, presidente de uma cooperativa de açaí de Afuá (PA) que tem o Amapá como destino de sua produção, celebra a novidade. “Vai revolucionar tudo. Acaba com o esforço físico e o medo de cair da árvore. Com o robô, a gente colhe muito mais e ganha mais”, afirmou.
Com a fábrica em funcionamento, a Kaatech planeja expandir rapidamente a produção do AçaíBot para todos os estados da Amazônia Legal, impulsionando a economia sustentável da região, com mais segurança no trabalho, maior produtividade e preservação ambiental.
Paulo Moisés, presidente da Bio+Açaí, uma das principais cooperativas de produtores do Amapá, destaca o momento estratégico para a chegada da tecnologia. “O colhedor deixa de ser artesanal e vira operador de máquina. É inovação chegando na hora certa, com mais renda, menos risco para o peconheiro e maior escala para levar o açaí aos grandes centros”, explicou.
O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, presente na inauguração, ressaltou o alinhamento do projeto com as políticas públicas para a bioeconomia. “É o que a Amazônia precisa: tecnologia que gera emprego, aumenta a renda e protege a floresta. O presidente Lula já conhece o robô e apoia totalmente”, afirmou.










