O Brasil está passando por transformações significativas em seu território, com rios diminuindo e cidades crescendo. Dados de satélite mostram um panorama de mudanças que afetam a disponibilidade de água, a infraestrutura e a vida nas cidades.
Em 2023, as áreas urbanizadas do país somavam 4,1 milhões de hectares, o que representa 0,5% do território nacional. Desde 1985, o crescimento foi de 2,4 milhões de hectares, a uma taxa de 2,4% ao ano, conforme dados do MapBiomas.
A seca de 2023-2024 impactou 59% do território brasileiro, causando escassez de água e prejuízos na agricultura e na vida das pessoas, especialmente nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, na região Amazônica.
O monitoramento por satélite é uma ferramenta essencial para entender essas mudanças. Ele permite acompanhar o nível dos rios, a evolução da vegetação e a expansão das áreas urbanas, fornecendo informações cruciais para o planejamento e a gestão dos recursos naturais.
“O grande desafio hoje não é apenas coletar imagens, mas transformar dados em decisões”, explica Adriano Junqueira, especialista em GIS e Sensoriamento Remoto. “A integração de satélites, inteligência artificial e informações socioambientais cria uma nova fronteira de monitoramento, permitindo agir de forma preventiva e estratégica diante de mudanças rápidas”.
Os satélites permitem observar diariamente e em larga escala como os rios e reservatórios se recuperam, como as áreas de vegetação são preservadas e como a expansão urbana interage com os ecossistemas. Índices como o NDWI (Índice de Diferença Normalizada da Água) ajudam a mapear alterações na cobertura de água, revelando trechos que secam ou recuam antes mesmo que a escassez seja visível.
Além disso, o uso de dados de satélite ajuda a analisar bacias hidrográficas inteiras, considerando a oferta e a demanda de água, para que governos possam tomar decisões mais embasadas sobre consumo, distribuição e conservação.
O monitoramento da expansão urbana, por sua vez, permite identificar áreas de risco, planejar o desenvolvimento das cidades e garantir a preservação de áreas verdes. Os dados de satélite também ajudam a analisar a conectividade entre áreas urbanas e ecossistemas naturais, revelando pressões sobre rios urbanos e habitats críticos.
A análise da vegetação, por meio de índices como o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada), permite mapear áreas degradadas, florestas em recuperação e pressões sobre ecossistemas sensíveis, auxiliando em iniciativas de preservação e restauração ambiental.
Essas informações se tornam ainda mais relevantes no contexto da COP30, que será realizada em Belém (PA) neste ano. Os dados de satélite podem fornecer transparência e rastreabilidade para políticas públicas, compromissos corporativos e projetos de restauração.
Em resumo, o uso de dados de satélite é fundamental para entender e enfrentar os desafios ambientais e urbanos do Brasil, garantindo um futuro mais sustentável para o país.
*Conteúdo originalmente publicado pelo Jornal Tribuna, escrito por Daniella Pimenta.










