Povos indígenas da bacia do Rio Juruena, no Mato Grosso, têm dado importantes passos para a gestão de seus territórios. Os Apiaká avançaram na elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena (TI) Apiaká do Pontal e Isolados, enquanto os Rikbaktsa implementam ações para estruturar o turismo de base comunitária em duas de suas três áreas.
Após a declaração do território em 2024, os Apiaká celebram a conclusão do PGTA em 2025. “É um momento de expectativa, porque a gente vai ter o plano de gestão do nosso território, então a gente fica muito contente de estar concluindo esse processo. É uma das primeiras conquistas do nosso povo após a retomada do território”, afirma o cacique Robertinho Morimã, da aldeia Matrinxã.
O PGTA, construído por meio de pactuações e instrumentos de gestão como etnomapeamento, é um instrumento de luta política e autonomia que define diretrizes para a gestão social e ambiental das terras indígenas, abrangendo história, organização social, cultura, educação, saúde, economia, vigilância e segurança alimentar. O processo envolveu encontros com comunidades vizinhas (Munduruku, Kayabi e ribeirinhos) e representantes do governo.
“O processo foi um aprendizado para mim. Uma coisa que achei admirável foi essa proposição de dialogar. Eles se propuseram a fazer um plano de gestão com participação dos vizinhos para que eles soubessem o que estava sendo discutido e para que combinassem juntos os termos de ‘uso em consenso’. Estão somando esforços e construindo alianças”, comenta o antropólogo Rinaldo Arruda, mediador do processo.

Já os Rikbaktsa, com cerca de 120 indígenas participantes, realizaram um diagnóstico participativo para avaliar o potencial turístico de seus territórios, como parte do PGTA Rikbaktsa, publicado em 2020. Oficinas de culinária tradicional, roteiros de imersão cultural e técnicas de condução de grupos estão sendo implementadas, visando fortalecer a segurança alimentar, a cultura, a geração de renda e a gestão territorial.
“É um exercício de soberania alimentar aliado à identidade cultural”, pontua a nutricionista Neide Rigo. A observação de aves também foi identificada como um potencial atrativo turístico, com o registro de 221 espécies em poucos dias.


Com informações do Portal Amazônia.












