Uma alternativa sustentável para a criação de peixes está sendo desenvolvida no Amapá. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) uniram forças para criar uma ração artesanal a partir de resíduos da indústria pesqueira.
A ideia é simples, mas inovadora: transformar sobras de peixe – como carne e ossos que seriam descartados – em um alimento rico em proteínas, vitaminas e minerais, ideal para alimentar pirapitingas, um peixe muito apreciado na região.
A pesquisa foi apresentada durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Macapá, e despertou o interesse de estudantes, como Anderson da Silva, de 13 anos. “Eu gostei muito do fato dessa ração ser feita do peixe próprio. Achei bem interessante porque ajuda a gente, deixa a gente mais inteligente. Pra mim, vale muito a pena”, comentou o estudante.
O processo de produção envolve a criação de farinhas a partir dos resíduos do pescado. A Ueap possui os equipamentos necessários para transformar esses restos em um ingrediente de alta qualidade para a ração. “Em parceria com a Ueap, a gente traz esse material para a universidade. Eles têm todos os equipamentos para produzir a farinha de resíduo de peixe, que é o principal ingrediente para a formulação de rações. A gente deixa de contaminar o ambiente e consegue um ingrediente proteico, rico em vitaminas, rico em minerais, e consegue formular uma ração para a piscicultura”, explicou Leandro Damaceno, analista de laboratório da Embrapa.
Os experimentos mostraram que as rações produzidas com farinha de resíduo de pescado são tão eficazes quanto as rações tradicionais, oferecendo uma alternativa sustentável e econômica para os criadores de peixes. A pesquisa, orientada pela pesquisadora Eliane Yoshioka e conduzida pela bolsista Amanda Mendes Pacheco, visa desenvolver tecnologias para o cultivo de peixes como a pirapitinga, otimizando a nutrição, o desempenho e reduzindo os custos da piscicultura.
O objetivo final é promover uma piscicultura mais sustentável no Amapá, reduzindo o desperdício de recursos e minimizando o impacto ambiental da atividade.












