Uma pesquisa promissora realizada por cientistas do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e do Instituto Butantan aponta que resíduos de frutos oleaginosos da Amazônia – como andiroba, murumuru, tucumã e castanha-do-brasil – podem ser aliados na luta contra o colesterol alto.
O estudo, que utiliza materiais descartados após a extração do óleo desses frutos, fornecidos por uma empresa de Ananindeua (PA), revelou que proteínas isoladas desses resíduos conseguem inibir a enzima responsável pela produção de colesterol no fígado, além de apresentar propriedades antioxidantes.
De acordo com o nutricionista e pesquisador do IFMA, Marcelo Rodrigues Marques, os resultados mais expressivos foram observados na andiroba, no murumuru e na castanha-do-brasil, enquanto o tucumã se destacou pela sua ação antioxidante. “Os resultados mais promissores em relação à redução do colesterol vieram da andiroba, do murumuru e da castanha-do-brasil, enquanto o tucumã se destacou pela ação antioxidante”, explica Marques.
Normalmente descartados ou utilizados como adubo, esses resíduos são subprodutos da extração a frio do óleo, que é utilizado principalmente na indústria de cosméticos. A pesquisa abre caminho para uma nova forma de aproveitar esses recursos naturais, gerando valor e evitando o desperdício.
A equipe de pesquisa agora se dedica a identificar as moléculas específicas responsáveis pelos efeitos benéficos observados, com apoio do Instituto Butantan. O objetivo é entender como essas substâncias interagem com o organismo e, futuramente, desenvolver produtos inovadores.
A iniciativa conta com financiamento da Fapespa (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará), da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq. A valorização desses subprodutos pode impulsionar o cultivo de frutos nativos da Amazônia, criar novas oportunidades de renda para as comunidades locais e fortalecer a economia da região, além de promover um modelo de produção mais sustentável.
“A valorização de subprodutos pode estimular o cultivo de frutos nativos, abrir novas cadeias produtivas e criar oportunidades de renda sustentável para comunidades locais”, afirma o professor Marcelo Marques.










