As queimadas na Amazônia estão colocando em risco a saúde da população do Acre. Uma pesquisa divulgada no início de novembro pelo Greenpeace Brasil indica que a exposição à poluição do ar causada pelo fogo pode reduzir a expectativa de vida dos moradores em até dois anos.
O estudo analisou dados de poluição entre 2019 e 2023 e constatou um aumento significativo na concentração de material particulado fino (PM2,5) no ar dos estados do Acre e Amazonas. A média registrada foi de 30 microgramas por metro cúbico (µg/m³), um valor bem acima do limite considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 15 µg/m³.
No Acre, o nível médio anual de PM2,5 chegou a 32,8 µg/m³, o que representa um risco considerável para a saúde respiratória e cardiovascular da população. Especialistas da área de saúde ouvidos pela Rede Amazônica explicam que a fumaça das queimadas libera gases poluentes que agravam doenças como asma, rinite, bronquite e aumentam o risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
“Nesses locais, a ação de doenças respiratórias crônicas é potencializada, principalmente nas queimadas urbanas, que muitas vezes envolvem a queima de lixo e pneus. Pessoas que vivem perto de lixões podem até desenvolver câncer a longo prazo, devido à exposição a partículas cancerígenas”, alerta o médico infectologista Eduardo Farias.
A pesquisadora Sonaira Silva, doutora em ciências de florestas tropicais, ressalta que as queimadas na Amazônia estão se tornando cada vez mais frequentes e intensas. “Embora sempre tenham ocorrido, os incêndios agora acontecem em intervalos menores e afetam áreas cada vez maiores”, afirma.
Além dos impactos diretos na saúde, o estudo do Greenpeace também aponta que as queimadas contribuem para as mudanças climáticas, liberando carbono na atmosfera e intensificando o efeito estufa. A pesquisa também destaca a crescente ocorrência de queimadas na região conhecida como ‘fronteira do desmatamento’, localizada entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia, principalmente ao longo de estradas e em áreas de abertura de novos ramais.
O levantamento também registrou depoimentos de comunidades locais e líderes afetados pelas queimadas, que relatam conflitos fundiários, interrupção de atividades cotidianas e problemas de saúde relacionados à inalação da fumaça. Apesar de um ano com redução no número de focos de incêndio, a pesquisa reforça a necessidade de medidas urgentes para combater as queimadas e proteger a saúde da população e o meio ambiente na Amazônia.








