O resultado do primeiro turno das eleições deste ano deveria representar uma pá de cal nas pesquisas eleitorais da forma como a conhecemos.
Foram cerca de 12 meses de divulgação quase diária de pesquisas que ninguém sabia de onde vinham, indicando a vitória folgada de Lula sobre o presidente Jair Bolsonaro. No dia do pleito, os números simplesmente não batem mais.
Os números variavam, na grande maioria das vezes, colocando o candidato petista como virtual presidente do Brasil em 2023. Foram pesquisas contratadas por veículos de comunicação, entidades econômicas e outras instituições que demonstravam um interesse incontestável em influenciar os eleitores brasileiros.
Diferentemente de pleitos anteriores, as pesquisas começaram lá atrás, em 2021, e não pararam de ser realizadas e replicadas à exaustão, chegando à véspera das eleições mostrando números que – mais uma vez – não se mostraram próximos da realidade.
É verdade que os 48,43% de Lula apurados pelo TSE estão perto dos 50% que várias pesquisas indicavam no final da semana passada. Mas os votos de Bolsonaro, projetados na casa dos 31% ficaram bem aquém dos 43,20% que o presidente da República recebeu de fato neste 2 de outubro.
Como explicar a trajetória de Lula nas pesquisas, sempre com resultados estratosféricos sofrerem uma leve queda na véspera das eleições e os números de Bolsonaro, sempre minguados nas pesquisas, serem superados por mais de 40% na realidade?
O Congresso Nacional precisa se debruçar sobre as regras atuais para uso de pesquisas eleitorais para divulgação. É público e notório que as pesquisas são utilizadas para manipular o eleitor. E fica patente, cada vez de forma mais clara, que os institutos não estão mais preocupados em acertar.