Temores de um conflito entre Europa e Rússia crescem, mas qual o risco real de uma guerra em grande escala no continente?
O aumento das previsões sobre um possível conflito aberto entre a Europa e a Rússia tem gerado apreensão. Mas o risco é real ou alarmismo?
O temor se alimenta de projeções sobre um confronto direto, com a Alemanha mencionando um risco para 2029 – embora essa data possa variar. Esse cenário ganha força com o aumento dos gastos com defesa e o retorno do serviço militar obrigatório em alguns países.
Declarações do governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, sobre a possibilidade de adquirir a Groenlândia – sem descartar uma invasão militar – elevaram a tensão. A primeira-ministra da Dinamarca afirmou que uma invasão significaria o fim da OTAN. Apesar disso, a maioria dos americanos não apoia uma ação militar no Ártico, e a ideia enfrenta resistência dentro do Partido Republicano, tornando uma invasão improvável.
Especialistas alertam para o risco de análises baseadas nos piores cenários, comuns entre militares, que precisam antecipar riscos. Embora importantes, essas avaliações nem sempre medem os cenários mais prováveis e podem gerar pânico. O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) chama atenção para uma distorção: “Existe uma tendência a superestimar a hostilidade do adversário e subestimar como as nossas próprias ações influenciam a percepção de ameaça”.
O Sipri considera que um ataque a um país da OTAN é “altamente improvável”, devido ao desequilíbrio militar regional. O instituto aponta, no entanto, um risco mais relevante: o de uma escalada acidental. Com o aumento da tensão e dos investimentos em defesa, encontros entre forças russas e da OTAN são cada vez mais frequentes. No mar Báltico, um caça russo entrou no espaço aéreo da Estônia por 12 minutos. A Força Aérea britânica interceptou 15 aeronaves russas em seis dias, com um rasante próximo a um navio americano.
No Ártico, os EUA conduziram exercícios militares com bombardeiros B-52 perto da fronteira entre a Finlândia e a Rússia. Em caso de acidente, a situação pode fugir do controle. Nesses cenários, canais de comunicação eficazes entre os militares são cruciais para evitar uma escalada indesejada.
Em resumo, o risco de uma guerra em grande escala na Europa existe, mas é considerado pouco provável. O que persiste é o discurso bélico, as previsões de cenários extremos e um ambiente de tensão entre os países.
Com informações do G1










