Um projeto de reflorestamento chamado ‘Reflora’ está revitalizando a vida de comunidades indígenas em Manaus (AM). A iniciativa transforma áreas degradadas em agroflorestas sustentáveis, combinando o conhecimento tradicional com a ciência para restaurar a floresta e criar novas oportunidades de renda sem comprometer o meio ambiente.
Na comunidade Tatuyo, às margens do Rio Negro, moradores cultivam mudas de árvores nativas como andiroba e castanheira. Edmildo Pimentel Yhepassoni, um ribeirinho local, expressa sua alegria: “Há muito tempo eu sonhava com isso, mas não tinha como buscar conhecimento. Hoje em dia, graças a Deus, esse sonho está sendo realizado. Eu coleto sementes, ando por onde me convidam, falo sobre reflorestamento, porque precisamos recuperar a Amazônia. Isso não é só para nós aqui, é para todo mundo”.
Carmen, esposa de Edmildo, vê no projeto uma esperança para o futuro da família. “Eu quero que meus filhos, meus netos, plantem junto comigo. Que todos trabalhem juntos para que isso cresça e se torne algo grande.” O filho do casal, Santiago, compartilha o mesmo otimismo: “Daqui a alguns anos, isso aqui vai estar com árvores altas, que dão semente, frutos, sombra. Vai ser melhor, porque daqui pra frente, a gente vai plantar agora, vai ter pequenas árvores, mas logo estarão grandes, pra nossos filhos colherem e plantarem”.

O projeto Reflora, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), oferece suporte técnico e fortalece as comunidades locais, atendendo a uma demanda dos próprios moradores. “O projeto surgiu da própria demanda dos comunitários, o que é mais interessante, porque aí a gente está surgindo como uma instituição apoiando essas atividades vindas da própria comunidade”, explica Paulo Roberto Ferro, coordenador executivo do Ipê. A logística, especialmente o transporte de mudas pela vastidão do Rio Negro, representa um desafio significativo, mas a meta é restaurar 200 hectares de áreas degradadas e beneficiar 18 comunidades até 2025.
A técnica de sistema agroflorestal, que combina espécies agrícolas, frutíferas e florestais, garante um retorno econômico e ambiental a curto, médio e longo prazo. A iniciativa também incentiva a geração de renda através da coleta de sementes e produção de mudas, que podem ser utilizadas na indústria de cosméticos e medicamentos. “Sustentabilidade não é só conservar a floresta, mas também gerar renda para quem mora aqui”, afirma Ferro.
Com informações do Portal Amazônia.










