Iniciativa de Elon Musk no governo Trump, que prometia economia, gerou prejuízo de US$ 10 bilhões aos EUA, revela levantamento
Um estudo revelou que o DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), programa liderado por Elon Musk durante os primeiros meses do governo Trump, resultou em um prejuízo de US$ 10 bilhões. A análise, conduzida por uma organização de funcionários públicos dos Estados Unidos, aponta que o programa gerou esse custo ao afastar mais de 154 mil servidores federais sob licença remunerada – quase 7% do funcionalismo civil do país.
O Peer (Public Employees for Environmental Responsibility) destacou a contradição do departamento, criado com o objetivo de poupar gastos e aumentar a eficiência do governo. Em vez disso, o levantamento demonstra que o governo continuou pagando os salários de funcionários afastados e sem exercer suas funções ao longo de 2025.
“Gastar mais de US$ 10 bilhões do dinheiro do contribuinte para impedir pessoas de trabalhar é uma forma absurda de administrar o governo”, afirmou Peter Jenkins, assessor jurídico da Peer, para o The Guardian. O afastamento ocorreu mesmo em órgãos com falta de pessoal, como o Serviço Nacional de Parques.
Entre os servidores colocados em licença remunerada estão funcionários da Agência de Proteção Ambiental dos EUA que atuam na área de justiça ambiental, enfrentando agora um impasse jurídico. A organização alega que o uso prolongado dessas licenças viola a Lei de Licença Administrativa, que limita o afastamento remunerado a dez dias úteis por ano, com exceções restritas. A estratégia do governo teria burlado a legislação ao criar novas categorias de licença.
A responsabilização, no entanto, é considerada difícil devido à complexidade das regras, falhas na regulamentação e mudanças administrativas, criando um “buraco negro de prestação de contas”. A organização apresentou uma denúncia ao órgão responsável por fiscalizar gastos públicos. Caso a irregularidade seja confirmada, dirigentes de agências poderiam ser punidos, mas a decisão depende de autoridades ligadas ao próprio governo.
Pesquisadores apontam que manobras administrativas e lacunas legais ajudaram a manter o programa em funcionamento. “Há estratégias que tornam extremamente difícil levar o caso aos tribunais ou a órgãos de controle, e isso explica por que a política avançou”, afirmou Madeline Materna, pesquisadora da Universidade Stanford.
Musk havia se gabado da eficiência do programa e prometido cortar US$ 2 trilhões nos gastos do governo, mas alcançou menos de 10% do valor prometido.
Com informações do G1










