Acordo UE-Mercosul é aprovado, mas gera revolta de agricultores europeus que temem competição desleal e o fim de suas atividades
Agricultores de países como França, Polônia e Bélgica realizaram protestos nesta sexta-feira (9) após a União Europeia aprovar provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul. A medida reacendeu a oposição de produtores que temem o impacto da importação de alimentos sul-americanos.
Em Paris, tratores bloquearam a entrada da cidade. Na Polônia, cerca de mil agricultores marcharam pelo centro de Varsóvia logo após a aprovação do acordo. Janusz Sampolski, um dos manifestantes, declarou à AFP: “Isso vai matar a agricultura na Polônia. Vamos depender das cadeias de abastecimento de outros países”. Produtores belgas também protestaram em estradas do país, segundo a agência Reuters.
Apesar dos votos contrários da França, Polônia e Bélgica, a maioria dos países membros da UE garantiu a aprovação do acordo. Os protestos desta sexta-feira dão continuidade a uma série de manifestações que vêm ocorrendo nas últimas semanas. Na quinta-feira (8), ruas de Paris foram bloqueadas em um ato contra o pacto, e, em 19 de dezembro, agricultores franceses despejaram esterco e resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron em protesto.
A oposição dos agricultores europeus ao acordo é antiga. Eles temem a chegada em larga escala de produtos como carne, arroz, mel e soja da América do Sul, argumentando que os produtos do Mercosul são mais competitivos devido a regras de produção menos rígidas. A França, maior produtora de carne bovina da União Europeia, é a principal voz contrária ao tratado.
Antes da aprovação provisória, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o tratado é “de outra época”, negociado com base em um mandato de 1999 e com ganhos econômicos limitados. O acordo UE-Mercosul pode ter impactos significativos no comércio e na economia dos países envolvidos, com potencial para baratear vinhos e ampliar a oferta de chocolates no Brasil, mas também gerando preocupações no setor agrícola europeu.
Em Bruxelas, produtores europeus já haviam protestado em larga escala, chegando a queimar pneus e confrontar a polícia. A insatisfação reflete a preocupação com o futuro da agricultura europeia diante da crescente competição internacional.
Com informações do G1











