Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, desafiou abertamente os Estados Unidos, denunciando a pressão de Washington após a captura de Maduro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, expressou sua indignação com a ingerência dos Estados Unidos no país, afirmando estar “farta” de ordens de Washington. A declaração veio à tona após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e a subsequente pressão americana sobre o governo interino.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, disse Rodríguez em um discurso proferido a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país. A fala demonstra a crescente tensão entre Caracas e Washington.
Após a deposição de Maduro, o presidente americano Donald Trump anunciou que o governo interino de Delcy Rodríguez estaria sob a tutela dos EUA, chegando a controlar o petróleo venezuelano, segundo a Casa Branca. Trump e Rodríguez mantiveram uma conversa telefônica logo após a nomeação da interina. “Falamos sobre muitas coisas, e acho que estamos nos dando muito bem com a Venezuela”, declarou Trump na época. “E ela é uma pessoa incrível. Quero dizer, é alguém com quem temos trabalhado muito bem.”
Entretanto, a postura de Trump em relação a Rodríguez se mostrou ambivalente. Em entrevista à revista The Atlantic, o presidente americano alertou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” caso não coopere com os Estados Unidos. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, afirmou. Segundo o jornal The New York Times, autoridades americanas já haviam considerado Rodríguez como uma substituta “aceitável” para Maduro semanas antes da operação que resultou em sua captura.
A decisão de manter Rodríguez como presidente interina foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, logo após a remoção de Maduro do poder. O tribunal justificou a decisão como uma medida para “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”. As Forças Armadas da Venezuela também reconheceram Rodríguez como presidente interina, com o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossando a decisão em rede nacional, concedendo-lhe um mandato de 90 dias.
Em sua primeira declaração após a captura de Maduro, Rodríguez pediu calma e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”, classificando o incidente como um “sequestro” orquestrado pelos EUA. Rodríguez, de 55 anos, é advogada e figura proeminente no governo venezuelano desde 2003, durante a gestão de Hugo Chávez, conhecida por seu perfil combativo e presença constante em momentos de crise.
Com informações do G1










