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07 de fevereiro de 2026

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Porto Velho 111 anos: primeiros habitantes chegaram há milênios; entenda as raízes

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Vista aérea de Porto Velho e o Rio Madeira. Foto: Leandro Morais

A cidade de Porto Velho celebrou 111 anos de criação oficial neste 2 de outubro. No entanto, a história de ocupação humana da região do Rio Madeira, em Rondônia, é milenar. Pesquisas arqueológicas apontam que povos indígenas já habitavam a área há pelo menos 10 mil anos.

O professor Carlos Zimpel, arqueólogo da Universidade Federal de Rondônia (Unir), liderou escavações que confirmam a presença ancestral. No local, pesquisadores encontraram microvestígios botânicos e artefatos de pedra lascada e polida.

Esses objetos eram utilizados para atividades essenciais, como cortar, raspar e manipular alimentos. Além disso, os achados incluem os chamados solos de terra preta, associados às antigas práticas agrícolas.

Vestígios ancestrais: a terra preta e o cultivo

A terra preta é um solo escuro e extremamente fértil. O arqueólogo Zimpel explica que essa coloração não é natural, mas sim o resultado de alterações feitas pelas populações humanas.

“Eles apresentam características que comprovam alterações feitas por populações humanas. Não é um solo enegrecido por acaso. Ele é mais rico em nutrientes e muito mais estável em relação ao pH, o que o torna extremamente fértil”, explica Zimpel.

Há cerca de 8 mil anos, os povos indígenas do Rio Madeira já manipulavam o ambiente para cultivar e armazenar alimentos, desenvolvendo técnicas de sobrevivência. Assim, eles se familiarizaram com diversas plantas que mais tarde seriam domesticadas, como a mandioca, o cará, o feijão e a abóbora.

Os primeiros registros da Amazônia

O arqueólogo afirma que essas primeiras domesticações marcaram também o surgimento dos primeiros registros de terra preta indígena na Amazônia.

“A partir dessas primeiras domesticações, também surgem os primeiros registros de terra preta indígena na Amazônia. Embora esse tipo de solo não seja exclusivo de Rondônia, os primeiros vestígios conhecidos foram encontrados nessa região, possivelmente ligados às práticas agrícolas antigas”, conta o professor.

A presença de vários sítios arqueológicos na região sugere que muitos povos indígenas, com línguas e tradições distintas, viveram ou passaram por Rondônia ao longo do tempo. As cachoeiras de Teotônio, Jirau e Santo Antônio eram locais de destaque, possivelmente devido à riqueza em peixes ou por serem pontos estratégicos de movimentação humana.

O primeiro contato com o homem branco

O primeiro contato registrado entre o homem branco e os povos indígenas da região aconteceu em 1722. O sargento Francisco de Melo Palheta, enviado pela Coroa Portuguesa, tinha a missão de mapear e fiscalizar o Rio Madeira devido ao avanço espanhol.

O historiador Célio Leandro, em entrevista ao g1, confirmou os relatos de Palheta sobre as dificuldades nas cachoeiras e o encontro com os povos originários.

  • O rio, conhecido pelos indígenas como Kaai Ia Ri, passou a ser chamado de Rio das Madeiras pelos portugueses, em referência aos troncos que desciam a correnteza.
  • Em 1723, foi criada a Missão de Santo Antônio do Madeira, usada como núcleo de conquista territorial, onde os indígenas eram forçados à conversão e à escravidão.
  • A partir de 1750, postos fiscais foram instalados para consolidar a presença portuguesa. Um deles, na Cachoeira de Jirau, foi destruído pela construção da hidrelétrica; outro funcionou na Cachoeira do Teotônio.

A resistência do povo mura

O povo Mura, originário do Rio Madeira, ficou conhecido pela forte resistência à colonização nos séculos 18 e 19. Eram navegadores hábeis e usavam esse conhecimento para deter o avanço dos colonizadores.

Márcia Mura, indígena do povo, afirma que eles lutaram por mais de cem anos pela rota do Madeira, chegando a afundar embarcações em defesa do território. “Antes do contato, nos chamávamos Buhuaren, que significa senhores das águas. O Madeira é nosso território de memória, que nos liga aos antepassados”, declara Márcia.

Ela ressalta que o progresso da colonização, tido como avanço, representou morte e violência para os povos originários. Locais sagrados foram sobrepostos pela igreja de Santo Antônio, o museu Marechal Rondon e a ferrovia Madeira-Mamoré, simbolizando a violência colonial e o desrespeito à memória ancestral.

Os Mura sobreviveram e continuam na luta pelo reconhecimento oficial em Porto Velho, onde famílias vivem no Baixo Madeira. “Nós estamos vivos, nos reconhecemos como Mura e seguimos na luta em defesa do território. Continuamos ligados às águas”, reforça Márcia.

Fundação oficial de Porto Velho

A história oficial de Porto Velho está intrinsecamente ligada ao ciclo da borracha e à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A ferrovia foi a solução encontrada para escoar a produção de borracha após o Tratado de Petrópolis, em 1903.

O professor Célio Leandro define três datas chave para a fundação:

  • 4 de julho de 1907: Considerada a fundação e início da construção da EFMM.
  • 2 de outubro de 1914: Data oficial da criação do município pelo governador do Amazonas, Jônatas Pedrosa.
  • 25 de janeiro de 1915: Instalação oficial, com a posse do primeiro superintendente, Major Guapindaia.

A cidade nasceu sob forte influência de estrangeiros e migrantes nordestinos. No início da ferrovia, o inglês era o idioma oficial, presente em jornais, ordens de serviço e menus de restaurantes.

Com o crescimento urbano, Porto Velho se tornou o principal centro regional. Portanto, em 1943, foi escolhida como capital do Território Federal do Guaporé (que mais tarde virou Rondônia). Finalmente, em 1981, ao ser elevado à categoria de estado, Rondônia oficializou Porto Velho como sua capital.

Presença indígena em Rondônia

Apesar da intensa colonização, Rondônia ainda é um lar vital para povos originários. O Censo 2022 do IBGE aponta que o estado abriga mais de 21 mil indígenas, representando 1,25% da população tradicional brasileira.

  • Cerca de 54,5% deles vivem em áreas oficialmente demarcadas como Terras Indígenas.
  • Rondônia possui 21 terras indígenas regularizadas, que protegem mais de 25 etnias.
  • O estado também abriga grupos indígenas isolados, que não mantêm contato com a população urbana.

Por isso, o município de Porto Velho abriga atualmente quatro etnias indígenas reconhecidas: Karipuna, Karitiana, Kaxarari e Kassupá.

Com informações do G1

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