Enquanto Trump cogita anexar a Groenlândia, Putin demonstra apoio, vendo vantagem no enfraquecimento da aliança transatlântica
O presidente americano, Donald Trump, pode nos levar a acreditar que Moscou e Pequim estão em compasso de espera no litoral da Groenlândia, prontos para impor seu poder no Ártico. “Existem destróieres russos, existem destróieres chineses e, mais do que isso, existem submarinos russos em toda parte”, declarou Trump recentemente, justificando a necessidade de controle americano sobre a ilha.
A reação de Moscou a um possível plano de Trump, ameaçado pela tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos, poderia ser de insatisfação, certo? Errado. O governo russo tem elogiado Trump e criticado os líderes europeus que se opõem à anexação. “Ficar no caminho na histórica iniciativa do presidente americano é teimosia de Copenhague, aliada à falsa solidariedade de países europeus intransigentes, incluindo os chamados amigos da América, o Reino Unido e a França”, escreveu o jornal oficial russo Rossiyskaya Gazeta.
A publicação descreve a anexação da Groenlândia como o “maior negócio da vida de Trump”, comparando-o a eventos históricos como a abolição da escravatura e as conquistas napoleônicas. Segundo a Rossiyskaya Gazeta, se Trump anexar a Groenlândia até 4 de julho de 2026, quando a América comemora o 250° aniversário da Declaração da Independência, ele “entrará para a história como uma figura que fez valer a grandeza dos Estados Unidos”. A mensagem é clara: não volte atrás, pois desistir da Groenlândia enfraqueceria o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato.
Mas por que esse apoio russo? A Rússia tem muito a ganhar com a tensão entre os Estados Unidos e a Europa. A obsessão de Trump pela Groenlândia e a imposição de tarifas criaram fortes tensões na aliança transatlântica e dentro da Otan. Moscou considera tudo o que enfraquece ou ameaça destruir a aliança ocidental como positivo. “A Europa está totalmente perdida e, para ser honesto, é um prazer assistir a isso”, zombou o tabloide russo Moskovsky Komsomolets.
Comentaristas favoráveis ao Kremlin também estão usando as ameaças americanas de anexar a Groenlândia para justificar a guerra na Ucrânia. A vitória na Ucrânia permanece a prioridade do Kremlin, e Moscou acredita que manter um relacionamento positivo com o governo Trump ajudará a atingir este objetivo. Daí as críticas à Europa e o apoio a Trump.
Em resumo, a aparente celebração de Putin à disputa pela Groenlândia é estratégica, visando enfraquecer a aliança ocidental e fortalecer a posição da Rússia no cenário internacional.
Com informações do G1










